Covas reafirma, no Rio, que solução para Febem é descentralização
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Fernanda Delmas 
Rio, 13 (AE) - A Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) deve seguir um modelo descentralizado, segundo afirmou hoje, no Rio, o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). "Faz quatro anos que eu tento descentralizar", disse. De acordo com Covas, esta é a solução para evitar casos como o do último final de semana. Sábado teve início uma rebelião na unidade Imigrantes da instituição. No domingo, dia de visita, parentes impedidos de entrar invadiram a unidade. Muitos menores aproveitaram para fugir com seus familiares. Para controlar a situação, a polícia atirou com balas de borracha; algumas pessoas ficaram feridas.
Durante o final de semana, relembrou o governador, as famílias entraram na Febem e os menores saíram junto, um deles dizendo que a porta estava aberta. Covas fez questão de reafirmar que a tropa de choque não trabalha com armas de fogo, apenas com balas de borracha. "Enquanto não se puder descentralizar e fazer com que cada uma dessas casas contendo 60 a 80 crianças seja um lar real, vamos ter esse problema multiplicado", afirmou. "Era para ter um atendimento melhor, e não é por falta de recursos".
Segundo o governador, os funcionários da Febem ganham, em média, R$ 1,6 mil, e cada criança custa R$ 1,7 mil por mês. Para descentralizar, também há o problema da resistência de algumas prefeituras, que têm receio da proximidade com os menores. Questionado sobre o medo de uma tragédia nessa área, Covas respondeu: "Nessa e em qualquer outra área. Cada vez que recebo uma ordem do juiz para tirar com a polícia gente que invadiu terra, cada vez que tem uma ordem do juiz para eu cumprir e quem cumpre é minha polícia, e no dia seguinte quem é analisada é a polícia, tenho medo de que aconteça alguma coisa"
disse. "Você vive sempre na linha".
O governador comparou a situação da Febem com a das penitenciárias. "Em São Paulo fizemos 21 penitenciárias com 17 mil vagas, mas os distritos policiais continuam cheios, por quê?". "Porque antes, explicou, a polícia prendia 2 mil pessoas por mês e hoje prende 4 mil, no entanto a violência aumenta. Violência não é só fruto da polícia, mas de uma série de outras coisas também". Covas adiantou que não afastará os funcionários que respondem a processos judiciais por suspeita de desvio de verbas até decisão da Justiça. "Quem é réu não é necessariamente criminoso", afirmou.


