Covas quer controle da Febem
Covas quer controle da Febem
Agências Folha
e Estado
De São Paulo
O governador Mário Covas (PSDB) disse ontem que vai assumir diretamente o controle da situação da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Vou colocar a coisa sob meu controle direto, afirmou. Bastante irritado com as perguntas da imprensa, Covas não informou que mudanças pretende adotar. Na hora que eu achar que devo dizer eu digo, ressaltou.
Ele negou, entretanto, que pretenda mudar as atribuições das secretarias. Não vou tirar o controle de ninguém; o que eu disse é que vou me envolver diretamente.
Covas disse ainda que o Estado não se sente responsável pela morte dos quatro menores, durante a última rebelião na Febem, no domingo. Na avaliação do governador, os meninos foram mortos por outros colegas, e os monitores que poderiam fazer alguma coisa para evitar isso, estavam imobilizados.
Mas o governador ressaltou que, se a Justiça determinar que as famílias desses menores devem ser indenizadas, o Estado vai arcar com essa decisão. O governador fez questão de frisar que não está delegando a ninguém a culpa pelo que aconteceu na Febem, mas disse que não está sendo fácil solucionar a questão.
Ontem, o pedreiro Valdeci Dias Brandão, 38, pai do adolescente Adriano Dias Brandão, 14, morto na rebelião, disse que vai processar o Estado e pedir indenização pela internação do filho, que ele considerou indevida. O adolescente foi enterrado ontem pela manhã em São Sebastião (215 km de São Paulo), no litoral norte, onde morava antes de ser transferido, há um mês, para a Febem Imigrantes.
Segundo o pedreiro, Adriano não era bandido, mas doente e precisava de tratamento psiquiátrico e não ser encarcerado. Bandido é quem colocou o meu filho na Febem. É covarde, safado. Não tenho medo de falar. Mataram o menino como se fosse um cachorro.





