Covas promete esvaziar a Febem
Covas promete esvaziar a Febem
Kathia Tamanaha/Agência EstadoVistoriaAcompanhado de secretários, o governador Mario Covas visita a unidade destruída pela rebelião
Agências Folha
e Estado
De São Paulo
O líder do governo na Assembléia Legislativa de São Paulo, deputado Walter Feldman (PSDB), disse ontem que uma das primeiras medidas do governador Mario Covas à frente do comando da Febem será o esvaziamento da unidade Imigrantes, onde ocorreu a pior rebelião da história da instituição na última segunda-feira. Entre as ações, está prevista também a transferência de 500 menores para o presídio feminino do Tatuapé. Nesse momento existem 873 internos na Imigrantes.
O governador deve iniciar também imediatamente a reforma da unidade. Covas, segundo Feldman, não deve nomear de imediato o novo diretor para a Febem depois do pedido de demissão, na manhã de ontem, de Guido de Andrade. O governador visitou à tarde a unidade, acompanhado por oito secretários de Estado e oito deputados estaduais.
Em entrevista para a Rádio Eldorado, o presidente demissionário da Febem, Guido Andrade, explicou as razões do seu pedido de demissão: De foro íntimo, em primeiro lugar; em segundo, porque eu sou um advogado que milito na advocacia plena e preciso retornar a essa advocacia, afirmou. A Febem começou a tomar 36 horas do dia. Eu imaginava uma presidência em que eu trabalhasse muito mas tivesse uma vida normal.
Ela é uma bomba-relógio. Os adolescentes estão dentro de um salão na Imigrantes; são 331 menores dentro de um salão, o que é suportável até um certo ponto. Depois não é. A remoção desse local tem que ser imediata, disse.
Andrade afirmou que a sua decisão de pedir a exoneração do cargo nada tem a ver com a afirmação do governador dizendo que vai assumir pessoalmente a direção da instituição. Na sua opinião, a culpa por esse descontrole seria da própria sociedade.
Ontem, a Febem Imigrantes tentava transferir para uma unidade mais segura um grupo de 25 garotos que passaram a correr risco de vida depois da rebelião. São menores que, durante o motim, se negaram a participar do tumulto e intercederam pela vida dos monitores ameaçados por outros internos.
Segundo o relato de funcionários da unidade, eles também ajudaram a mesma situação enfrentada por menores do seguro, local separado onde são colocados estupradores e delatores marcados pelos colegas.
Os quatro garotos mortos no fim de semana estavam nesses casos. A casa em que os colaboradores foram instalados fica na área externa da unidade. Os menores que fazem as ameaças estão na ala D, localizada em uma área murada.





