Covas promete ajudar CPI, mas não garante afastamento de policiais
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Fausto Macedo e Flavio Mello 
São Paulo, 03 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) garantiu hoje à CPI do Narcotráfico que a Polícia de São Paulo vai abrir suas portas para contribuir com as investigações sobre o crime organizado, mas não deu garantias de que poderá atender aos apelos feitos pelos deputados da comissão - a CPI quer o imediato afastamento de todos os policiais envolvidos em supostos casos de corrupção. Covas reuniu-se por duas horas no Salão de Despachos do Palácio dos Bandeirantes com o presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), e os sub-relatores Robson Tuma (PFL-SP) e Celso Russomano (PPB-SP).
"Nós temos objetivos absolutamente iguais", afirmou Covas. Depois de fazer um relato sobre o que foi apurado em Campinas - onde a CPI instalou seus trabalhos entre os dias 16 e 20 e prendeu cinco pessoas, entre as quais o advogado Arthur Eugênio Mathias e o delegado Ricardo de Lima -, o deputado Tuma entregou uma lista com três pedidos ao governador.
Além da punição aos policiais envolvidos em "inquéritos graves", a comissão quer ter acesso aos autos do inquérito sobre o furto de 340 quilos de cocaína ocorrido em 31 de janeiro no posto do Instituto Médico Legal de Campinas e, também, a adoção de novos critérios de remanejamento de investigadores e delegados sob suspeita.
"A Polícia Civil tem péssimos elementos que precisam ser expurgados", disse Tuma, citando o investigador Antônio Lázaro Constâncio, o Lazinho. "Esse policial responde a mais de 45 inquéritos e já está condenado, mas em momento algum foi afastado de suas atividades." Para Tuma, a Secretaria da Segurança Pública "não pode deixar na rua um indivíduo com tantas acusações, porque isso é grave".
Covas revelou que, somente neste ano, já demitiu 496 policiais militares e outros 110 policiais civis. "É uma área extremamente perigosa, porque é altamente corruptora."
Sobre o afastamento dos agentes relacionados pela CPI, Covas evitou assumir um compromisso. "Olha, isso é relativo, porque você precisa saber o que é crime grave e quem é que pode ser afastado."
Lei - O governador citou o caso de um policial que matou um menino de 9 anos e atribuiu à legislação os obstáculos que impedem maior rapidez na aplicação de medidas punitivas. "Por minha vontade ele (o policial) já estava na cadeia, mas a lei é feita de tal maneira que o juiz tem de soltar."


