Alambari, SP, 20 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje, em Alambari, a 155 quilômetros de São Paulo, que irá interpelar judicialmente o ex-ministro da Justiça Renan Calheiros sobre as acusações de que teria tentado beneficiar financiadores de sua campanha em uma licitação para a confecção de passaportes. Segundo ele, as notícias veiculadas pela imprensa sobre o assunto estão sendo analisadas pelos seus advogados. "Vou fazer a interpelação e, independente disso, estou procurando a quem processar por conta dessas notícias." Renan teria afirmado que o governador de São Paulo ficou contrariado com ele por ter cancelado, em abril, a concorrência de R$ 136 milhões para produzir os passaportes.
Segundo Covas, as acusações, que envolvem também um suposto lobby pela regionalização da inspeção veicular obrigatória, são tratadas como "ilações" e atribuídas a interlocutores do ex-ministro. "Quero ver se alguém assume a acusação. Quero que alguém assuma, pois eu vou processar", afirmou, dizendo que as supostas denúncias são "absolutamente falsas".
O governador disse duvidar que o ex-ministro faça publicamente qualquer denúncia contra ele . Para Covas, colocar na boca de assessores e interlocutores "é uma forma fácil de agredir sem correr riscos". Ele afirmou que não teve participação na queda do ministro, substituído durante a recente reforma ministerial do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não nomeei nenhum ministro, nem derrubei ninguém. "Não sou fazedor de reis."
Covas lembrou que até esteve do lado de Calheiros, quando este manifestou-se contra a nomeação do delegado João Batista Campello, sobre quem pesava denúncia de participação em torturas
para a diretoria da Polícia Federal. "Embora antes dele, e por razões diferentes, eu deixei clara minha posição contrária à nomeação, enquanto as denúncias não fossem apuradas."
Covas explicou que, na sua opinião, ao surgirem as denúncias contra Campelo, sua nomeação teria que ser colocada de "quarentena". Para ele, o ex-ministro contestou o direito do presidente de nomear sem a sua anuência.
O governador entregou hoje obras na região de Sorocaba e inaugurou 16,8 quilômetros de estradas vicinais asfaltadas nos municípios de Cerquilho, Angatuba, Alambari e Sarapuí.

mockup