São Paulo, 31 (AE) - A polêmica entre os ministros Waldeck Ornélas (Previdência) e José Serra (Saúde) sobre o fim da isenção previdenciária para entidades filantrópicas foi classificada pelo governador Mario Covas (PSDB) como uma "divergência de pontos de vista em relação a uma matéria administrativa". Segundo Covas, Ornelas e Serra deveriam ter tratado do caso "entre quatro paredes". Mas o fato de a discussão ter vindo a público não abala o governo federal nem alimenta crises entre o PSDB e PFL na opinião do governador. "As sequelas que o governo tiver que ter já estão em curso", declarou Covas.
Segundo o governador, Serra está defendendo o sistema de saúde ao criticar Ornélas pelo corte da isenção previdenciária para entidades filantrópicas, perda equivalente a 12 mil leitos hospitalares do SUS conforme o ministro da Saúde. "Talvez o Serra tenha usado alguns adjetivos inadequados que receberam uma resposta até bem mais inadequada" disse Covas. Serra chamou Ornelas de "sádico" e foi acusado por este de defender a "pilantropia".
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), tomou o partido do afilhado político Ornélas, dizendo que Serra "pensa que manda no governo". Covas, que amanhã (1) estará presente à solenidade em homenagem ao cardiologista Adib Jatene, da qual participam Serra e ACM, saiu em defesa do colega tucano. "Parece que tem mais gente, além do Serra, que pensa que manda no governo" disse.
Covas voltou a defender a volta do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) ao cenário político apesar da nova bateria de críticas relacionadas ao caso das fitas grampeadas no BNDES. "Acho positivo a volta dele ao PSDB, seria dramático perder um quadro como Luiz Carlos com cabeça privilegiada e a boa presença que ele tem no processo econômico" disse Covas. O governador comparou essa possível perda à saída do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PPS/CE) do PSDB. "O que interessa é o que ele representa para nós, não queremos que outros partidos aceitem o que ele pensa" disse Covas referindo-se a Mendonça de Barros.
O governador Mario Covas recebeu no final da tarde um grupo de lideranças estaduais do PT. Eles apresentaram propostas de política industrial, com sugestões de programas de geração de emprego, renda mínima, banco do povo e primeiro emprego (um dos pontos defendidos durante a última campanha para o governo do estado pela candidata do PT Marta Suplicy). O governador Covas, segundo as lideranças petistas, deve estudar as propostas de desenvolvimento apresentadas e marcar uma nova reunião para discutí-las e a possibilidade da implantação ou adaptação de algumas delas na sua gestão.
Participaram do encontro o senador Eduardo Suplicy, o prefeito de Santo André Celso Daniel, o deputado federal e presidente regional do PT Antonio Pallocci e os deputados estaduais Eloi Pietá e Roberto Gouveia.

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