São Paulo, 10 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) anunciou hoje a liberação de aproximadamente R$ 2 milhões para 15 dos municípios do Vale do Paraíba atingidos pela chuva, mas afirmou que o problema permanece sem solução. "Outra chuva parecida e acontece tudo outra vez", afirmou. "Vai encher sempre". Covas esteve reunido hoje com os prefeitos dos municípios atingidos e ouviu o pedido de cada um deles. A cidade de Campos do Jordão, a mais atingida pelas chuvas, deve receber R$ 500 mil para a construção de 400 alojamentos de madeira.
O governador comentou que recebeu um telefonema do governo federal na sexta-feira solicitando nomes e pedidos dos municípios atingidos pela chuva para a liberação de uma verba de R$ 1 milhão. Covas disse que vai encaminhar todas as solicitações feitas pelos prefeitos. Culpa - Covas não quis falar em culpados pelo problemas das cheias, mas disse que a questão passa pelo fato de todos permitirem a ocupação irregular. "As prefeituras permitem, o Estado permite, a União permite" afirmou. "É um problema social muito sério", acrescentou. Uma solução, nas palavras irônicas do governador, seria aumentar o salário de toda a população em 100%. "O pior lugar para morar é sempre o mais barato".
Foram liberados aproximadamente R$ 460 mil para reforma e reconstrução de mais de 40 casas nos municípios atingidos. Covas autorizou, também, a reforma de pontes em 10 municípios. Foi determinada, ainda, a montagem de uma "patrulha", que vai se encarregar da desobstrução e limpeza de estradas e vias prejudicadas pelas enchentes. Pedidos - Enquanto cada um dos prefeitos falava, Covas discutia o "tamanho" dos pedidos feitos por cada um e reduziu bastante alguns deles. O prefeito de São Luís do Paraitinga, Raul Alceu Presotto (PDT), queria mil unidades de cada um dos itens que vinham sendo distribuídos - cestas básicas, colchões, cobertores
lençóis. Saiu de lá com apenas 500 de cada. O governador chegou a discutir com alguns prefeitos, mas afirmou depois que eles "não são de exagerar".
O prefeito de Campos do Jordão, Oswaldo Gomes da Silva Filho (PSDB), que pediu R$ 11 milhões para a reconstrução da cidade, saiu do Palácio dos Bandeirantes com R$ 500 mil, 400 colchões, mil cobertores e a promessa de receber 500 cestas básicas a cada 10 dias. "Ele (o governador Mário Covas) ficou de estudar o meu pedido e dar uma resposta até o final da semana", afirmou.