São Paulo, 20 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), inaugurou hoje o prédio do Pronto-Socorro Pediátrico (PS) e o Setor de Coleta do Laboratório Clínico do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (HC). Durante o evento, Covas garantiu ao Instituto R$ 5,6 milhões, que estavam congelados desde o começo do ano, para terminar a obra, aumentando a capacidade do hospital para 170 leitos, 50 a mais do que oferece hoje. "Nos sentimos melhor sabendo que as nossas crianças estão sendo bem tratadas", disse o governador.
Para terminar o prédio, será necessário um total de R$ 7,4 milhões, segundo Paulo Roberto Pereira, diretor-executivo do Instituto da Criança. O orçamento total da obra é de R$ 11 milhões. Com a verba que o governo pôs à disposição do instituto
R$ 3,6 milhões, foi possível construir o PS, o setor de coleta e o esqueleto das novas alas do hospital. O novo PS e o setor de coleta estão instalados nos primeiros dois andares do prédio.
O Instituto da Criança atende hoje 4 mil crianças por mês no PS e 5 mil no ambulatório e efetua de 500 a 700 internações. Com a reforma, o fluxo do hospital será mais rápido, possibilitando o crescimento do número de crianças atendidas, avaliou Pereira. A expectativa é a de que dobre o número de atendimentos. "O principal objetivo, no entanto, era humanizar o ambiente do hospital, para facilitar o processo para a criança e a família"
disse Pereira. Assim, uma sala de espera foi criada para que mães e familiares acompanhem a criança.
O novo PS tem um sistema informatizado de marcação de consultas e exames. Com ele, todos os processos ocorridos no hospital - agendamento, matrícula, internação e laboratório - estarão interligados e poderão ser marcados para ocorrer no mesmo dia. Os dirigentes do hospital já informaram que o novo sistema está preparado para o bug do milênio. "Vamos tratar do paciente de forma mais ágil", afirmou Pereira.
Durante a inauguração, funcionários do HC realizaram uma manifestação, reivindicando aumento de salário, diminuição de carga horária e abertura de concurso para 3.638 vagas. Covas recebeu os manifestantes da Associação dos Servidores do Hospital das Clínicas de São Paulo, mas recusou as reivindicações. "Nenhum funcionário do HC ganha menos de R$ 1 mil por mês", afirmou. Os funcionários reclamaram e acusaram o governador de mentiroso.
Adelaide Padilha, que trabalha há 16 anos como auxiliar-técnica de saúde no HC, tem registrado em sua carteira de trabalho o salário de R$ 91. Com gratificações, ela recebe R$ 345 por mês. Além do salário público, Adelaide recebe R$ 350 da Fundação Faculdade de Medicina, uma entidade privada que administra as verbas extra-orçamentárias do hospital. No total, Adelaide recebe R$ 695.
O governador afirmou que, desde 95, os salários foram reajustados em 92,65% para funcionários de base, 124,30% para intermediários e 71,33% para empregados com ensino universitário. Novamente, os manifestantes contestaram. Eudes da Silva trabalha há sete anos como auxiliar de serviços no hospital. O seu salário base é de R$ 44,47. Com gratificações, ele recebe R$ 280. Com o salário da fundação, Silva recebe, por mês, R$ 410. "Não tenho aumento há cinco anos", disse.
Covas afirmou que abriu, ano passado, 800 vagas no HC para funcionários. Somente 600 foram preenchidas. Ele negou abrir concursos para 3 mil vagas, conforme os funcionários pediram. "O concurso será para 200 vagas, para completar as 800 prometidas", disse.

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