Covas faz visita surpresa a presidente do TJ
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Fausto Macedo 
São Paulo, 01 (AE) - Sob investigação do Ministério Público Estadual (MPE) e pressionado pelo Poder Judiciário - que o obriga a nomear interventores em municípios que não pagam dívidas judiciais (precatórios) -, o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), arriscou hoje uma jogada política para tentar ganhar tempo. Acompanhado do secretário de Governo e Gestão Estratégica, Antonio Angarita, e do secretário-chefe da Casa Civil, Celino Cardoso, o governador fez uma visita-surpresa ao presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargador Márcio Martins Bonilha.
Durante 40 minutos, Covas pediu "conselhos" e fez "algumas consultas" ao desembargador. O governador levou ao presidente do TJ "um retrato da atual situação financeira" do Estado. "Foi uma visita estratégica", na avaliação de magistrados e promotores de Justiça. O principal objetivo do governador seria tentar neutralizar o cerco imposto a ele nos últimos cinco meses para que cumpra determinações judiciais. Além de não intervir em 90 prefeituras inadimplentes - com receio de sofrer desgaste político -, Covas é acusado de não pagar precatórios alimentares, comportamento que já lhe custou quase mil pedidos de intervenção federal no Estado.
A visita não estava agendada e ocorreu menos de 48 horas depois que o àrgão Especial do TJ - composto pelos 25 desembargadores mais antigos de São Paulo - decidiu que o governador deve acatar as ordens para nomeação dos interventores.


