Covas evita polemizar com ACM sobre guerra fiscal
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2000
Por Clóvis da Silva Vicente 
Mogi Guaçu, 12 (AE) - O governador Mário Covas evitou hoje(12) polemizar com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, que deu declarações em Brasília fazendo a defesa aberta da guerra fiscal. No entanto, Covas fez uma referência à Sudene, órgão federal que atraiu investimentos para o Nordeste, via incentivos fiscais, para insinuar que político baiano estaria sendo incoerente. "Ele é a favor da guerra Fiscal? E a Sudene não era guerra fiscal?", indagou Covas, em Mogi Guaçu, ao termino de um programa de visitas a cinco cidades da região de Campinas.
Covas reiterou a sua posição contrária à guerra fiscal e minimizou o alcance do decreto que assinou há dias, criando mecanismos de defesa para o Estado, motivo de forte reação por parte da Bahia. "A defesa fiscal do Estado é cumprir a Lei em primeiro lugar. Pelo menos até agora tem sido cumprida. A dificuldade está sendo que outros estados não a cumprem, ou pelo menos alguns deles não vêem cumprindo e mostram uma agressividade muito grande".
Covas assegurou que a medida de proteção adotada por São Paulo não é guerra fiscal, mas admitiu que poderá mesmo entrar no processo: "Eu ainda não decidi quando entro e também não vou perguntar para ninguém a hora de entrar.
Diante da insistência dos repórteres em saber a opinião do governador sobre as declarações de ACM, o governador censurou os jornalistas por achar que estariam fomentando "uma discussão absolutamente sem necessidade". Entre irritado e irônico, Covas procurou não atribuir importância à possibilidade de a Bahia entrar na Justiça contra São Paulo, como ameaçou o presidente do Senado."Deixa ele entrar com recurso. Ele vai entrar com recurso? Tudo bem, ele avisou. O senador Antônio Carlos avisou e nós todos passamos a tremer e portanto vocês saem correndo atrás de mim para saber o que eu vou fazer.
Na entrevista, Covas avaliou que a reforma tributária "está com extremas dificuldades para andar" e não quis avaliar se a posição declarada ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a favor de São Paulo, poderá prejudicar ainda mais o processo ao suscitar reações contrárias de outros Estados. "Ele (FHC) é quem sabe se deve ou não fazer isso. Se tem problema ou se não tem problema. Não me cabe analisar isso" Para Covas, que se queixou da perda de indústrias e empregos em São Paulo, só as empresas ganham com a guerra fiscal.


