Covas evita polêmica com ACM sobre Ford
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 12 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), evitou hoje polemizar com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), por conta das declarações dele publicadas na edição de hoje do jornal "O Estado de S. Paulo". "Não é que esteja evitando, não quero fazer críticas ao senador ACM", completou. Na entrevista ao "Estado", ACM diz que "toda a riqueza de São Paulo foi feita com divisas do Nordeste" e que o Estado é "forte economicamente, mas que não tem bons politicos".
Perguntado se ACM não estaria sendo prepotente ao exercer pressão junto ao governo federal para a montadora Ford se instalar na Bahia, Covas negou. "Não, não diria que ele é prepotente, mas que está cumprindo o seu papel de senador: tirar o máximo que pode para seu Estado", afirmou. Covas disse ainda que aceitar a pressão exercida por ACM não é uma "falha" do presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem cabe vetar ou sancionar a prorrogação da medida provisória (MP) da Ford.
Na avaliação de Covas, não foi o governo federal e sim o Congresso que aprovou a prorrogação do prazo. "Toda a discusssão fica em torno de se a Bahia deve ou não ter uma montadora; isso é deslocar o eixo da questão porque os parâmetros é que são absurdos", disse Covas, referindo-se ao pacote de benefícios, ampliado com a renúncia fiscal federal. Para Covas, mesmo as decisões econômicas desse tipo "sempre têm uma vertente de natureza política".
Mesmo assim, Covas preferiu não estender o assunto envolvendo a importância da influência de ACM junto ao presidente. "Seguramente ele (ACM) tem liderança e eu não disputo com ele prestígio político; leio todo os dia nos jornais que ele é mais importante do que eu, mas dou esse papo para ele", disse Covas.
O governador de São Paulo disse ainda que Fernando Henrique não precisa de conselhos para cuidar de ACM. "Se ele precisa da minha ajuda para cuidar dos arroubos do ACM?; sou só governador de São Paulo, não sou presidente da República; ele sabe como lidar com ACM", disse. Covas preferiu diminuir o poder das críticas do governo paulista no caso Ford. "Não sei se o presidente reduziria os benefícios fiscais por causa das minhas críticas; afinal, São Paulo tem 47% da receita da União"
disse Covas.
Apesar de toda a polêmica, Covas voltou a afirmar que o caso Ford não será levado por ele para a reunião dos 26 governadores, em Aracajú, na quinta-feira (15). "Não sei o que vou falar, não vou levar pauta, mas não vamos falar de guerra fiscal." Segundo o tucano, os governadores do Nordeste têm questões mais importantes a serem debatidas, como a extinção do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e a prorrogação do prazo para a entrega do Plano Plurianual de Ações (PPA).


