Covas: Estado não se sente responsável pela morte de menores
São Paulo, 27 (AE) - O governador Mário Covas disse hoje em entrevista coletiva concedida logo após a privatização da Cesp Tietê, que o Estado não se sente responsável pela morte de quatro menores, durante a última rebelião ocorrida na Febem, em São Paulo. Na avaliação de Covas, os meninos foram mortos por outros colegas, e os monitores que poderiam fazer alguma coisa para evitar isso, estavam imobilizados. Mas ressaltou que, se a Justiça determinar que as famílias desses menores devem ser indenizadas, o Estado vai arcar com essa decisão. O governador fez questão de frisar que não está delegando a ninguém a culpa pelo quem acontecendo na Febem, mas disse que não está sendo fácil solucionar a questão. "Tudo que pode ser feito para melhorar este impasse está sendo realizado. Primeiro precisamos eliminar a superlotação para, depois, implantar uma nova filosofia", disse.
Covas usou como exemplo uma unidade para menores, construída em São José do Rio Preto, que poderia receber crianças de baixa periculosidade. Prova disso é que a construção não tinha sequer grades, mas a Justiça determinou que outro grupo fosse para lá, formado por menores mais agressivos, e que agora está sendo necessário fazer reformas para levantar muros e grades. O governador também citou a concorrência feita para duas instalações, na Febem, em Franco da Rocha-SP, com capacidade para 480 menores cada.
Elas deveriam estar prontas em janeiro, mas a Justiça suspendeu a obra, alegando que esta afeta o meio ambiente. "Estou tentando, e não vou transferir culpa para ninguém. Mas boa parte desses menores não são fruto da miséria e da fome, pois 70% têm casa própria".





