Covas espera criar 50 mil empregos com frentes de trabalho
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 08 (AE) - O governador Mário Covas lançou hoje programa de frentes de trabalho que criará, até julho, 50 mil vagas na Grande São Paulo. Além disso, revelou que seu governo está elaborando outro projeto, específico para empregar a população mais jovem, com dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. O governador também informou que as frentes de trabalho na Região Metropolitana são um teste para esse tipo de iniciativa. Mais tarde, lembrou, novas frentes poderão ser organizadas em todos grandes municípios do interior com problemas na área de emprego.
Covas destacou que as frentes não são solução para o desemprego, mas uma forma de amenizar as dificuldades deste momento, no qual 20,3% da força de trabalho não consegue ocupação, o correspondente a 1,7 milhão de pessoas, (pesquisa de abril do convênio Dieese-Seade). O governo liberou R$ 120 milhões em recursos para custear a bolsa-auxílio aos aproveitados. Hoje o governador assinou a lei de criação do programa, que foi aprovada em apenas 12 dias pela Assembléia Legislativa, depois de receber 40 emendas, boa parte incorporada ao projeto de lei original.
Em relação ao projeto destinado a facilitar o primeiro emprego para jovens - o desemprego para a faixa de 18 a 24 anos chegou a 28,9% em abril, segundo a pesquisa Dieese-Seade - o governador não quis dar detalhes. A primeira proposta nesse sentido foi anunciada em campanha eleitoral pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A então candidata a governadora, Marta Suplicy, anunciava que, se eleita, criaria o programa bolsa-escola.
Covas informou que muitos projetos do PT são considerados pelo seu governo, como por exemplo o de câmaras setoriais e o de renda mínima, mas não necessariamente no mesmo formato. "O que importa é o princípio", disse.
Escolas - As inscrições para integrar as frentes de trabalho começam dia 14 e vão até o dia 20, de 8 horas às 16 horas, em duas mil escolas da Grande São Paulo e em 11 postos de atendimento ao trabalhador da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho. O governador calcula que esses pontos receberão 50 candidatos por dia, de tal modo que ao término do prazo para inscrições o número de cadastrados chegue a 700 mil - 14 vezes o número de vagas.
Para poder concorrer a uma vaga, o interessado deve estar desempregado há mais de um ano, morar há dois anos na região metropolitana, ser maior de 16 anos e apresentar RG, carteira de trabalho e comprovante de endereço. Chefes de família (homens ou mulheres), mulheres arrimo de família, os que têm maior tempo de desemprego e os de mais idade terão prioridade.
Os aprovados serão convocados por telegrama, receberão bolsa-auxílio de R$ 150 por mês, mais cesta-básica e seguro de acidentes pessoais. A ocupação deve durar seis meses, prorrogáveis por mais três. A primeira frente de trabalho, com 250 desempregados, começará a atuar no dia 30, na manutenção e limpeza da rede ferroviária da região de São Miguel Paulista (CPTM). Segundo Covas, somente a Secretaria de Educação requisitou 13 mil futuros empregados nas frentes para cuidar de manutenção predial de escolas.


