Brasília, 24 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), veio hoje a Brasília interpor três ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando incentivos fiscais concendidos pelos Estados para atrair investimentos: duas delas são contra a Bahia, referentes aos benefícios fiscais dados na área de cobre e isenção de impostos na área de infomática. A outra, contra o Paraná, por benefícios fiscais concedidos para a produção de cerca de 15 produtos. Covas não descartou entrar com ações contra outros Estados.
"Isso está na nossa cogitação", informou, frisando que não está deflagrando uma disputa política com outros governadores. "Eu não faço guerra política com a Bahia nem com Estado nenhum", afirmou. "Acho bom, nós também também vamos entrar no STF contra o Covas pelas medidas ilegais que ele faz para beneficiar São Paulo", reagiu o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
O governador foi recebido pelo presidente do Supremo, ministro Carlos Velloso, e diversos ministros do tribunal. Ele afirmou que não está preocupado com uma possível enxurrada de liminares contra o processo de privatização do Banespa. "Eu não estou preocupado com isso. Isso é problema do governo federal. A privatização nem em São Paulo é. É no Rio de Janeiro", criticou. Covas disse ainda esperar que o leilão tenha um bom resultado. "Mas acreditar que uma privatização dessas não terá um grande número de liminares é ser muito otimista", observou.
Covas lamentou o fato de o governo paulista não estar envolvido no processo de venda do banco. "Eu gostaria que estivéssemos envolvidos no processo", disse. Ele ressaltou que, nos últimos cinco anos, nenhum representante da equipe econômica procurou saber a opinião do governador sobre os problemas do Banespa. "Eu teria muita coisa a falar sobre o Banespa", disse Covas. "Poderíamos ter discutido por que o Banespa estava naquela situação, de onde vinha a dívida; até poderíamos ter ajudado a resolver os problemas com a Prefeitura da São Paulo e com as ações da Cesp que só foram resolvidos na semana passada."
Para o governador, o problema do governo para conceder aumento do salário mínimo não está relacionado ao valor de US$ 100,00. "O problema não é dar o aumento; a contestação que o governo faz é por conta da Previdência", observou. O político tucano disse acreditar que esse problema poderia ter sido resolvido na época da Constituinte. "Melhor teria sido que tivéssemos feito a desvinculação (entre o mínimo e os reajustes dos benefícios da Previdência Socia) na Constituinte", opinou.
Ele também lamentou a demissão do economista Andrea Calabi da presidência do BNDES. "É uma pena; ele é um operador extraordinário, mas isto é do jogo", afirmou. O governador qualificou o ex-presidente do BNDES como uma figura excepcional e de boa articulação na área pública e disse que se tivessealgum posto no governo paulista para Calabi, o procuraria. Na sua opinião, entretanto, o único cargo à altura de Calabi seria o de governador, "o que complica o convite".
Covas voltou a atacar o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, por suas declarações qualificando como obsoleta a discussão sobre reforma tributária. "Parece que o secretário da Receita não quer a reforma", comentou. "Na hora de votar (os destaques ao substitutivo da proposta), ele vem e se pronuncia muito simpaticamente, dizendo que estamos discutindo o obsoleto, que reforma tributária é um assunto de 30 anos atrás". E completou: "Ele fala isso porque não é governador de Estado; se fosse, não estaria achando isso".

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