São Paulo, 01 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), afirmou hoje ser muito difícil os partidos de centro-esquerda unirem-se e formarem uma grande aliança para disputar a eleição municipal de São Paulo, como pretendem dirigentes nacionais e municipais do PPS. "Só quem faz isso no Brasil é a direita porque os partidos de esquerda se comem entre si", afirmou Covas.
Um dos motivos pelos quais a centro-esquerda não consegue unir-se, na opinião do governador de São Paulo, é o fato de os partidos que deveriam ter um diálogo mais fácil por causa da convergência ideológica acabam sendo "concorrentes por atuarem praticamente nas mesmas áreas". "É uma pena que seja assim, mas é uma tradição da história e ainda acabamos sendo mais tolerantes com nossos adversários", admitiu Covas.
O PPS, que defende a formação de uma frente de centro-esquerda nacional, decidiu tentar construí-la nos municípios aproveitando as eleições deste ano. Em São Paulo, as conversas foram iniciadas pelo pré-candidato do PPS, deputado Emerson Kapaz (SP). Na semana passada, Kapaz conversou com a candidata Marta Suplicy (PT) e a pré-candidata e deputada pelo PSB, Luiza Erundina.
Ontem (29), o líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES)
conversou demoradamente com Covas. A sugestão foi bem recebida, mas dificilmente haverá acordo.
"Acho a frente desejável, mas pouco provável por causa da lógica dos dois turnos", afirmou Erundina. O PT disse concordar com debates sobre os problemas da cidade.
Os tucanos estão tentando atrair outros partidos para alianças, entre os quais o PFL e o PPS. Em conversas reservadas, assessores do PSDB na Assembléia comentam que estaria em estudo até a abertura de espaço político no governo para fortalecer a parceria com os pefelistas. "O partido está conversando muito com o PSDB, mas não existe nada de espaço aqui ou ali, não", reagiu o vice-presidente do PFL em São Paulo, deputado Gilberto Kassab.
Ele disse que as conversas partidárias são normais, mas o PFL continua defendendo a tese de candidatura própria. Internamente, os tucanos tentam demonstrar total confiança em seu pré-candidato.
Os principais articuladores da candidatura do vice-governador Geraldo Alckmin (PSDB) dizem não estar preocupados com pesquisas de opinião pública. "Estamos fazendo um trabalho para que o crescimento ocorra no momento certo", afirmou hoje o deputado estadual Walter Feldmann (PSDB), que coordenará a campanha tucana.
"O Alckmin alcançará e passará a Marta Suplicy com os pés amarrados", disse hoje Covas. "Quando eu dizia que ganharia a eleição em 1998 vocês riam e o Maluf dizia que tinha um milhão e meio de votos a mais do que eu; depois perdeu e até hoje continua perdido sem saber se será ou não candidato", completou.
A Asssessoria de Imprensa de Maluf informou que, a princípio, não comentaria as afirmações de Covas. Os assessores da campanha do PT disseram que a candidata não responderá a provocações.