Covas diz ter denúncia de incentivo fiscal no Porto de Paranaguá3/Mar, 17:12 Por Clayton Levy Campinas, SP, 03 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), decidiu partir para o contra-ataque na guerra fiscal com o Paraná. Hoje, em Campinas, no interior de São Paulo ele disse ter recebido um documento provando que o governo paranaense estaria dando vantagens fiscais para aumentar o movimento no Porto de Paranaguá (PR). A declaração foi uma resposta à intenção do Paraná em contestar na Justiça supostos incentivos fiscais que São Paulo estaria concedendo a determinados setores. Covas disse ter recebido da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santos (SP) a cópia de um documento que estaria sendo distribuído no Paraná, anunciando vantagens fiscais para quem optar pelo terminal de cargas de Paranaguá. O documento, segundo o governador, garante diversos benefícios, como protelar por cinco anos o recolhimento de taxas e impostos relativos às mercadorias. "O pessoal que trabalha da Baixada está apavorado", disse. Cauteloso, Covas preferiu não anunciar nenhuma medida contra o Paraná. Mas disse estar preocupado com o "desvio de cargas" de Santos para Paranaguá. "Se é para aumentar o movimento, então, que se faça um porto melhor em vez de dar vantagens fiscais", protestou. "Com isso, você pode destruir o Porto de Santos, que é o melhor da América Latina", completou. Covas considerou "sem procedência" as acusações feitas por técnicos paranaenses, de que São Paulo estaria concedendo incentivos fiscais para alguns setores. Entre as áreas beneficiadas, estariam as de água natural, obras de arte, refrigerantes e cervejas, produtos resultantes do abate de aves, máquinas e implementos agrícolas, cerâmica, gado e carne bovina. "É tudo bobagem", disse o governador. Ao comentar a intenção do governo do Paraná em contestar na Justiça os supostos incentivos oferecidos por São Paulo, Covas foi irônico. "É ótimo que eles entrem na Justiça", disse. "Quando eles entrarem na Justiça dizendo que o que nós fazemos é crime, ficarei muito satisfeito", completou. O governador de São Paulo também foi cauteloso ao comentar a suspeita de que a Arisco estaria se beneficiando de vantagens fiscais concedidas pelo governo de Goiás para vender esponjas de palha de aço em São Paulo a preços abaixo do mercado. "Aparentemente, há alguma vantagem, mas, nessas coisas não posso fazer afirmações que depois não se provem serem verdadeiras", disse. A denúncia contra a Arisco foi apresentada pela Bom-Bril que também produz esponjas de palha de aço. O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, José Anibal, está investigando o caso. Segundo ele, se for comprovado que o preço praticado está atrelado à vantagem fiscal a secretaria estadual da Fazenda não reconhecerá o valor referente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido em Goiás. Dessa forma, o tributo será cobrado em São Paulo. A recomendação, segundo Covas, é para que o assunto seja tratado com cuidado. De acordo com o governador, esse tem sido o procedimento em todas as ações interpostas pelo governo contra outros Estados. "Só tomamos uma atitude mais drástica quando estamos cercados de razão", disse. "Se ficar comprovado que a Arisco foi favorecida, vamos cobrar o imposto", avisou.