Covas diz que votaria em impeachment se fosse vereador
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domingo, 26 de março de 2000
Por Fausto Macedo 
São Paulo, 27 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje que, "se estivesse lá (na Câmara de São Paulo), votava pela cassação" do prefeito Celso Pitta (PTN). Questionado sobre os motivos que o levariam a votar pelo impeachment, o governador esquivou-se: "Não posso elencar os motivos, não tem sentido a gente ficar aqui elencando estas coisas."
P ara Covas, o escândalo envolvendo Pitta é "como no caso Collor" - referindo-se às denúncias de Pedro Collor, que levaram à abertura do processo de impeachment do irmão dele, o então presidente Fernando Collor Mello, em 1992.
Covas ressaltou que a cassação "deve obedecer a tramitações legais". "É o Estado de direito; o caminho normal é pedir o impeachment." Para o governador, a decisão sobre a cassação de Pitta "vai ser ditada pela vontade popular, vai repetir-se o episódio do Collor, que pediu para o pessoal sair de verde e amarelo e o pessoal saiu de preto". O governador afirmou que "o povo julgou antes do próprio Congresso".
Covas afirmou que a Câmara tem autonomia para promover a cassação. "Dentro das circunstâncias, será muito difícil isso não acontecer, mas vai depender também de até aonde vai o interesse popular", disse. Covas lembrou que, há alguns dias, "jovens protestaram em frente da Prefeitura" e acrescentou: "Você tem hoje dois vereadores presos e um deputado estadual que era vereador e teve o mandato cassado; mais do que isso, há uma denúncia feita por alguém que gozava da intimidade do poder, a ex-esposa do prefeito (ex-primeira-dama Nicéa Pitta)."
Indagado sobre se o prefeito deveria estar preso, Covas declarou: "Não sou polícia, não sei se o prefeito deveria estar preso ou não; para isso, tem Justiça, tem Ministério Público (MP)."
O governador irritou-se ao ser indagado sobre os motivos que o levaram a ignorar as ordens do Tribunal de Justiça (TJ), que decretou intervenção estadual na Prefeitura da capital.
Acumulam-se sobre a mesa de Covas 362 ordens de intervenção no Palácio das Indústrias. "Não nomeei interventor em São Paulo pela mesma razão que não o fiz em outros 131 municípios." Diante da insistência sobre a omissão, Covas respondeu: "A última vez que nomeei um interventor, ele entregou-me a chave da cidade em três meses e disse que não ficava mais no cargo e que não dava para pagar a dívida." Os decretos de intervenção são expedidos pelo TJ contra as prefeituras que não pagam as dívidas judiciais (precatórios). Perguntado sobre se não poderia ter evitado o caos em São Paulo, por não nomear interventor na prefeitura, o governador retrucou: "É esse o caminho, é não pagar precatório porque não pode; é esse o caminho pelo qual você afasta alguém?, isso é ter pouco respeito pela opinião pública." O governador disse que "responde pela atitude que tomou".


