São Paulo, 2 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB-SP) evitou hoje criticar o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e disse que a decisão da aprovação da lei que garante incentivos fiscais à Ford depende exclusivamente do presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas deixou claro que é contra. "Se eu estivesse lá, não votava", disse Covas.
O presidente Fernando Henrique Cardoso terá 15 dias para sancionar ou vetar a mudança na lei do regime automotivo aprovada pelo Congresso Nacional e que beneficia a Ford. Sem os incentivos fiscais concedidos pela lei, a montadora pode rever a instalação da sua fábrica na Bahia. Parlamentares da bancada baiana pressionaram pela mudança da lei, estendendo o prazo de habilitação aos benefícios até o final deste ano. O prazo havia se esgotado em maio de 97. "Não foi o presidente, foi o Congresso Nacional que ampliou o prazo", disse Covas. "Não sei se ele compraria a briga com ACM", completou Covas, referindo-se ao empenho do senador para a aprovação da lei.
Covas disse ainda que não considera a extensão do prazo um "favor" ao senador baiano. "Não é o ACM que está fazendo investimentos", disse Covas. Segundo o governador, com a ampliação do prazo qualquer empresa do setor automotivo poderá se beneficiar, mas neste instante quem se benefia é a Ford.
Fórum - Covas participou hoje da abertura do I Fórum de Debates sobre Recuperação de Empresas, realizado na Fiesp. Em seu discurso, Covas criticou os "favores fiscais" concedidos a algumas empresas. Na avaliação de Covas os incentivos são injustos porque beneficiam apenas a empresa que está se instalando, sem estender as mesmas medidas para as demais. Covas também salientou que essas medidas são ilegais e contribuem para a ampliação da guerra fiscal.
Nesse sentido, Covas propôs a criação de um grupo tripartite - Estado, indústria e sindicatos - para avaliar cada caso de tentativa de aliciamento de empresas por meio de favores fiscais ilegais. Essa idéia foi sugerida por Covas, na semana passada, durante encontro realizado na Associação Brasileira do Desenvolvimento da Indústria de Infra-estrutura e Base (Abidib). "O processo de aliciamento é proibido por lei e temos que combater esse fato, acho produtivo avaliar cada caso para não prejudicar o parque industrial de São Paulo. Quem perde é o País
porque a empresa vai se instalar em outro País".
Cervejas - Covas disse que ainda não teve tempo para avaliar as consequências da fusão entre as fábricas de cervejas Brahma e Antarctica, anunciada ontem. Inicialmente Covas acredita que a fusão não deve causar demissões. "É uma tendência mundial, não conheço bem os detalhes da operação mas acho que não corremos o risco de desemprego", disse Covas. O governador insistiu que ainda é difícil avaliar quais serão as consequências da megafusão, mas acredita que o negócio não estabelecerá um monopólio das empresas no setor.

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