São Paulo, 12 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), voltou a afirmar que se estivesse no lugar do presidente Fernando Henrique Cardoso vetaria os benefícios fiscais para a instalação da montadora Ford na Bahia. "Se eu fosse o presidente não daria" disse Covas.
O governador confirmou o encontro entre ele e o presidente, ocorrido no sábado (10), no Palácio dos Bandeirantes. "Conversamos sobre coisas que não é para vocês saberem, ele não finalizou nada sobre a Ford, tomamos café, água e ele foi embora" disse Covas.
"Temos discordância de natureza política e não pessoal e minha postura não é tão relevante", disse. "Falo quando estiver discordando de alguma coisa, não estou em idade de não falar mais, se me aperta a garganta eu falo." Segundo o governador, a discordância do presidente da República não significa um afastamento entre os dois. "Não tenho a necessidade de reafirmar minha lealdade, tenho história e exercito minha lealdade nos momentos mais difíceis, mas isso não quer dizer que eu deva concordar com tudo", declarou.
O governador disse que suas críticas não são ao presidente mas à situação. Na avaliação dele, a atuação do presidente é melhor do que a esperada. "Ele se saiu melhor do que a encomenda, fez a estabilização da moeda e fez o pobre comer, seu governo tem um mérito indiscutível" disse Covas. Segundo o governador, o presidente Fernando Henrique tem o estilo de governo diferente do seu. "Ele é um homem que conversa, discute
tem uma enorme capacidade de diálogo, o que pode atrapalhar quem tem urgência na resolução, mas é o estilo dele. Não é porque eu sou malcriado que ele deve ser" disse Covas.

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