São Paulo, 14 (AE) - O governo de São Paulo continuará pagando as dívidas de precatórios, segundo o governador Mário Covas (PSDB). Ele defende, no entanto, uma mudança na formula de atualizar estas dívidas para as adequar a um regime sem inflação. "Eu posso até estar numa contingência que não possa pagar, mas não posso fazer disso uma tese", disse, ao responder sobre a proposta do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que pregou o calote nos precatórios exagerados.
Segundo Covas, "é absolutamente impossível" estar em dia com os precatórios. "Só se tirarmos os salários de um monte de gente", destacou. Para o governador, o que faz esta dívida cara é o que incide sobre ela - a cobrança mensal de juros remuneratórios e compensatórios e honorários advocatícios. "Se você tiver alguns trocados guardados, não coloque na poupança; compre precatórios, que são o melhor negócio do mundo", completou.
Segundo Covas, o governo paulista vai continuar pagando o que puder. Ele calcula gastar com precatórios entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões por mês. O governo de São Paulo contestou na Justiça a mudança nos índices de cálculo dos precatórios e conseguiu mandado de segurança do Supremo Tribunal Federal (STF).
Outra diferença apontada por Covas em relação aos tempos de inflação é que, na época de economia inflacionária, estas dívidas, quando quitadas, representavam cerca de 10% do valor real. Hoje, com a estabilidade, os valores são praticamente os mesmos. Além disso, os governos têm 90 dias subsequentes ao pagamento do principal para quitar as diferenças. "A inflação criava a corrente da felicidade e, por isso, ninguém achava ruim; normalmente, surgiam novos recursos na Justiça a cada pagamento da dívida", destacou. Covas participou hoje do lançamento da primeira etapa da Campanha Nacional de Multivacinação.
Ele esteve no Centro de Saúde 1 de Pinheiros, na zona oeste da capital. Depois, ele seguiu para São Miguel Paulista, zona leste, com o objetivo de fazer a entrega de unidades habitacionais de projetos de mutirão.

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