Marília, SP, 18 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje, em Marília, no interior de São Paulo, que o Legislativo e o Judiciário devem respeitar mutuamente a área de atuação de cada Poder. "Fazer uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) é um direito do Congresso e julgar a constitucionalidade de uma lei é direito do Supremo Tribunal Federal (STF) e ninguém pode reclamar disso", afirmou.
Na opinião do governador, cada um tem de andar dentro das balizas que a lei lhe permite. "Eu também, muitas vezes, não concordo com coisas que o Ministério Público (MP), a Justiça
apontam para o governo, mas não tenho outra alternativa senão cumprir."
Segundo Covas, o Judiciário não se manifesta sobre hipóteses, mas sobre casos concretos. "Se o Judiciário determina que uma coisa pode ou não ser feita porque foge das balizas constitucionais, não há como contestar isso; a adjucatura é uma tarefa inerente à tarefa do juiz e não pode ser discutida; por isso é que o cargo é vitalício."
Por outro lado, Covas lembrou que o Judiciário não tem razões para se considerar ofendido porque o Congresso faz uma CPI, que é uma das prerrogativas do Legislativo. "Não foi ofensa ao Banco Central (BC) fazer uma CPI sobre o Banco Central", afirmou.
Covas disse hoje não acreditar que o aniversário do presidente Fernando Henrique Cardoso represente o fim do inferno astral dele. "Não existe inferno astral; o que existe é o que acontece em todos os governos, os altos e baixos, os instantes favoráveis e os desfavoráveis", afirmou.
Segundo Covas, "um balanço dos acontecimentos políticos desde setembro mostra que o País foi obrigado a enfrentar uma crise importada da Rússia, duas tentativas vigorosas de violentar a moeda brasileira, uma mudança cambial que se impunha e que mudou o trajeto da política financeira que era feita até então".
O governador admitiu a existência de uma crise política entre os aliados do próprio governo. "É uma crise política que não está na oposição, pois a oposição está muito disciplinada e sem saber que rumo toma", afirmou.

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