Covas diz que não quer ser presidente
Limeira, SP, 27 (AE) - O governador Mário Covas disse hoje, durante visita a Limeira, no interior de São Paulo, que não pretende ser presidente "nem do Santos Futebol Clube". Ele usou a ironia para responder à tradicional pergunta sobre sua disposição em concorrer à Presidência da República. "Não quero ser presidente da República nem de mais nada", afirmou. "Quando terminar este mandato, vou cuidar dos meus bisnetos". O principal tema da entrevista coletiva concedida pelo governador foi a segurança.
Covas mostrou irritação ao comentar a recusa dos paulistas em pagar R$ 2,50 mensais por linha telefônica para modernização da polícia. "A polícia de São Paulo não será uma das mais bem equipadas do mundo", disse. "Mas continuará sendo a mais bem equipada e a melhor paga do Brasil". Mesmo assim, o governador garantiu entender a posição da população. "O brasileiro paga muita taxa, como a CPMF, que ninguém sabe para onde vai. Só que o povo não lembrou que em São Paulo há cinco anos só se diminui impostos".
O governador reclamou ainda da falta de apoio das prefeituras para o projeto de descentralização da Febem. "Está muito difícil achar uma solução. Todos falam que precisa descentralizar, mas ninguém quer receber a Febem em casa". Limeira é uma das cidades que podem receber uma unidade, que atenderia a 70 crianças. Covas afirmou que instalará unidades deste tipo em algumas cidades com população entre 200 mil e 300 mil habitantes, mesmo que não tenha o aval das prefeituras. "Não faz muita diferença os prefeitos quererem ou não. Se o terreno for do Estado, vamos fazer".
Outro assunto polêmico comentado pelo governador foi o projeto que obriga os policiais a se submeterem a exames para detectar se usam drogas. "Até eu faço o teste", avisou. "Ninguém vai para a cadeia por ser consumidor, vai para o hospital". Ainda em relação à polícia, ele defendeu as mudanças promovidas pelo governo no setor, que, entre outras medidas, acabam com os Comandos de Policiamento de área (CPAs).
"A polícia tem que estar na rua e não no quartel", justificou. Covas negou que esta iniciativa tenha relação com a CPI que investiga o narcotráfico. "As mudanças começaram no primeiro dia de governo", disse.





