Covas diz que morte de policiais é consequência da profissão
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sexta-feira, 27 de agosto de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 28 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje que o aumento do número de policiais mortos no exercício da profissão é uma consequência natural da atividade, "que implica num risco de vida permanente".
Ele admitiu, porém, que as Polícias Civil e Militar estão em desvantagem em relação aos criminosos, que estão usando armamento pesado, enquanto os soldados e agentes das corporações estaduais dispõem apenas de revólveres calibre 38.
"Realmente, é uma judiação ver delegacias onde os plantonistas estão armados com revólveres calibre 38, serem invadidas por bandidos que usam metralhadora, bazuca e coisas desse tipo", disse o governador.
Ele argumenta, porém, que a polícia não dispõe de equipamento mais potente porque, atualmente, a legislação limita o uso esse tipo de armamento às Forças Armadas. "Eu forneceria de bom grado armas mais potentes para que a polícia pudesse pelo menos se defender", afirmou.
O governador disse que, até agora, não conseguiu autorização para que os policiais civis e militares usassem armas de grosso calibre.
Assumindo uma postura diplomática, ele disse, porém, que não pretende transferir essa responsabilidade para a esfera federal. "Se é com estas armas que temos de trabalhar, então terá de ser assim", afirmou.
Para o governador, o aumento do número de policiais mortos no exercício da profissão, embora represente um "fato lamentável, indicaria, também, que a polícia está atuando mais no confronto direto com os criminosos. Ele disse que, durante o governo, o número de presos subiu de 51 mil para 85 mil. "Construi 21 penitenciárias para esvaziar os distritos, mas estes penitenciárias já estão cheias e as delegacias ficaram lotadas de novo", diz.


