São Paulo, 25 (AE) - O governador Mário Covas disse hoje que não acredita que a Marcha dos 100 mil, que acontece amanhã, em Brasília, reflita o sentimento da maioria da população brasileira. Segundo ele, "pode ser até que instantaneamente isso ocorra, basta ver os resultados que as pesquisas de opinião vem apontando", disse Covas. "Há um sentimento generalizado de insatísfação. Negar isso é o óbvio." O governador disse não estar preocupado "acima do normal" com a manifestação.
Segundo ele temos hoje um País amadurecido, que tem difículdades, reclamações, e desejos, capaz de realizar uma manifestação tranquila. O governador se recusa a usar a expressão "golpismo" ao se referir à ala da oposição que pede a saída do presidente Fernando Henrique Cardoso do governo. "Não vejo isso como golpismo nem como ato de hostilidade, mas sim como uma ação reivindicatória", avaliou o governador.
Empréstimo - Covas afirmou que o Estado de São Paulo não tem mais o que negociar em relação ao pedido de empréstimo de US$ 100 milhões junto ao Banco Mundial (BIRD). Segundo ele é fácil provar que o pedido de financiamento do BIRD faz parte do contrato de renegociação da dívida do Estado. "Todos os termos da negociação estão na Resolução 118 do contrato que esta arquivado no Senado. É só ir lá e verificar", disse ele.
O governador negou as informações do Banco Central, segundo as quais o Estado de São Paulo tem resultado primário negativo. Segundo ele, o governo paulista tem resultado positivo e balanço superavitário a três anos. Quanto a afirmação do senador Osmar Dias (PSDB-PR), relator dos pedidos de empréstimos de São Paulo junto ao Banco Mundial, de que o financiamento do BIRD precisaria de um novo parecer do Banco Central, o governador disse que isso não tem "lógica". "O Estado não está recebendo nenhum favor, mas sim um direito" disse ele.
Ao ser questionado se o Banco Central teria errado nessa questão, Covas respondeu: "O BC é capaz de errar", concluiu ele. O governador fez essas declarações durante solenidade comemorativa do Dia do Soldado, que aconteceu no Quartel General do Comando Militar do Sudeste no Ibirapuera em São Paulo.

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