São Paulo, 02 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, "não querem" aprovar o projeto de reforma tributária que tramita no Congresso Nacional. Segundo ele, o presidente Fernando Henrique já manifestou sua disposição de votar o projeto, mas os dois integrantes da equipe econômica dificultam a votação, o que impede uma solução para a guerra fiscal entre os Estados.
Covas não acredita que a reforma tributária seja discutida na reunião dos governadores marcada para esta sexta-feira em Curitiba. "Queira Deus que eles queiram discutir a reforma, porque isso forçaria o debate sobre a guerra fiscal", declarou. E foi enfático sobre sua presença na reunião. "Se eu não for, vão dizer que estou com medo."
O governador paulista disse que apenas o colega do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), dá apoio explícito à aprovação imediata da reforma tributária. "Os outros estão a favor de protelar a votação da lei", disse. Segundo ele, os governadores não querem a reforma para continuar dando incentivos fiscais e atrair empresas a seus Estados. O efeito dessa briga, de acordo com Covas, é que as empresas "fazem um leilão" entre os Estados na busca dos maiores incentivos. Na sua opinião, o consumidor só perde já que os Estados deixam de arrecadar tributos, que seriam direcionados para o gasto público
e também porque o preço dos produtos não cai.
O governador de São Paulo afirmou que a ausência de políticas de desenvolvimento regional e industrial para o País contribui para a briga atual entre os Estados. "Sem uma política de crescimento econômico sustentado, haverá sempre a afirmação de que a briga é apenas entre os ricos e os pobres", declarou.
Covas disse que seu desejo era de que Fernando Henrique tivesse nomeado o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros para o Ministério do Desenvolvimento logo após as eleições, o que implicaria na criação dessas políticas, minimizando a atual guerra fiscal. O modelo da Sudene foi citado pelo governador como um mecanismo a ser adotado, de forma aperfeiçoada, para a definição de políticas regionais.

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