Covas diz que conversa, truncada, não compromete FHC
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 25 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) defendeu hoje o presidente Fernando Henrique Cardoso da acusação de interferido no leilão do sistema Telebrás. "O presidente da República está sendo acusado por um grampo, que, aliás, é todo truncado. Não acho que ele teria tentado intervir. Pelo que li, não há nada conclusivo", disse. Covas estranhou que o assunto tenha sido ressuscitado dias após o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, demitido à época das primeiras revelações, ter voltado à cena política como membro da Executiva do PSDB.
"Não sei se é concidência , mas na minha opinião não há nada de novo em relação ao que já foi publicado sobre Mendonça de Barros; não há nada que o prejudique, ", disse Covas.
Na avaliação do governador, o presidente Fernando Henrique poderia fazer considerações a respeito de uma ou outra empresa que participam de uma determinada concorrência. "O presidente pode fazer, como eu posso fazer aqui", argumentou. Segundo Covas, existe uma tentativa para desmoralizar o presidente. "É um fato mais do que claro, estão tentando atacá-lo na honra", disse referindo-se ao fato de o conteúdo das gravações ter sido parcialmente publicado no ano passado, retornando-se ao assunto agora, desta vez com um foco centrado no presidente.
Sobre um possível envolvimento de partidos da base aliada (PFL e PMDB) no aparecimento de novos trechos das gravações, Covas evitou fazer qualquer avaliação. "Não acredito no envolvimento, aí eu estaria fazendo julgamento desses partidos julgamento que eu não fiz do presidente. Não posso afirmar nada, mas acho estranha essa sequência de acontecimentos", reiterou.
Segundo ele há uma série de indagações pertinentes a serem feitas em relação à própria leitura do texto que, segundo ele, está truncado. "Isso deixa determinadas impressões, mas não há razão, garantia, de que houve uma atitude criminosa." Sobre o pretendido impeachment do presidente FHC, conforme propôs hoje o presidente nacional do PT, José Dirceu, Covas afirmou que a oposição deseja a renúncia do presidente desde antes do aparecimento desse segundo lote de fitas. "A oposição quer o impeachment do presidente desde antes da eleição. O ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro e Leonel Brizola falavam em impeachment há muito tempo. Não precisam da gravação", disse Covas.
Na opinião do governador, a elucidação do caso deve partir da descoberta de quem montou a escuta e ele não acredita que seja necessária a instalação de uma CPI. Segundo ele, o governo federal tem meios institucionais para investigar. "Não me oponho à abertura de uma CPI, mas o problema não é meu, é do Congresso Nacional. E não acho que uma CPI possa esclarecer melhor o caso."
Na avaliação do governador, o episódio mostra que o governo federal está "muito vulnerável". "O caso só mostra que o governo não tomou cuidados porque não temia nada; quem faz falcatruas não fala por telefone", ponderou.
Covas criticou hoje a atuação da Polícia Federal na investigação de escutas telefônicas envolvendo integrantes do governo federal. As primeiras gravações grampeadas foram divulgadas há cerca de oito meses, e segundo Covas, a Polícia Federal até o momento não apresentou nenhum responsável pela realização da escuta ilegal. "Reconheço que é estranho que o governo federal tem todo o aparato (por meio da PF) para descobrir e não o fez", disse.
O governador afirmou ter interesse pessoal na apuração do episódio conhecido como dôssie Cayman, no qual ele é acusado de ter uma sociedade e uma conta secreta com líderes tucanos nas Ilhas Cayman. "Acho ruim a demora na apuração do caso; é quase inacreditável que a Polícia Federal não tenha encontrado resposta para isso."


