Covas diz estar preocupado com possíveis intervenções em municípios
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Taubaté, SP, 21 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje, na inauguração da linha de motores Zetec RoCam, na fábrica da Ford, em Taubaté, no Vale do Paraíba (SP), que está extremamente preocupado com a possibilidade de ser obrigado a intervir em cerca de 90 municípios paulistas. Ele disse ter achado "engraçada" a nova posição do procurador-geral de Justiça e chefe do Ministério Público Estadual (MPE), Luíss Antonio Marrey. "Eu tenho um parecer dele no processo de Osasco (na Grande São Paulo) que diz não ser obrigado a intervir; agora, está achando diferente", ironizou.
O procurador criticou a omissão e lentidão do governador em intervir na situação e em concluir o procedimento iniciado pelo Tribunal de Justiça (TJ). Covas disse que está ficando numa situação muito desagradável e, mesmo que venha promover a intervenção nos municípios, o pagamento dos precatórios não será feito. Segundo o governador, a quitação das dívidas deixaram de ocorrer por total falta de recursos na prefeituras. "A não ser que o prefeito deixe de pagar salário, merenda escolar e coisas que são impossíveis de deixar de pagar", explicou.
O governador afirmou que a experiência em Lindóia, no interior de São Paulo, foi negativa. O interventor foi o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local, que não conseguiu pagar a dívida e, três meses depois de ser nomeado, apareceu no gabinete de Covas e entregou-lhe as chaves da prefeitura. Outra preocupação é saber quem prestará o papel de interventor. "Se eu colocar um alguém do meu partido, vão falar que tirei quem o povo elegeu e botei meu companheiro", comentou. "Estou perdendo o sono com isto."


