Covas discute com moradores durante inauguração de complexo elétrico
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sexta-feira, 24 de setembro de 1999
Por Inês Migliaccio 
São Paulo, 25 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, inaugurou na manhã de hoje, o Complexo Elétrico Miguel Reale, instalado pela Empresa Paulista de Energia Elétrica (EPTE), no bairro do Cambuci, na capital. Trata-se da maior estação de transmissão de energia elétrica do País, que em sua etapa final, daqui a um ano e meio, pretende gerar 1,6 milhão de quilowatts, beneficiando 4 milhões de pessoas. Ao chegar no local, o governador foi insultado por um pequeno grupo que dizia: "O senhor é ladrão. Está vendendo o patrimônio público". Mário Covas fez questão de parar o carro e respondeu: "Eu não sou ladrão coisa nenhuma. No ano que vem, as urnas vão mostrar o que sou".
Durante o discurso da inauguração, Covas voltou a destacar o fato e comentou: "Levar ovada de uma multidão ainda vá lá", - referindo-se à recente manifestação de servidores em frente ao Palácio dos Bandeirantes -, "mas insulto de duas ou três pessoas é insignificante. É que depois de operado fiquei pior ainda, parece que me tiraram a válvula de controle e é difícil não reagir, disse. Segundo o governador, ter que garantir a liberdade de muitos o faz acabar com a sua. "Disseram que estou entregando as empresas. Isto não é verdade, pois conseguimos ágios significativos nas vendas. Com o dinheiro do povo não se brinca".
O governador também lembrou que esta foi a primeira obra que ele visitou no início da sua gestão, em 1995. Segundo o presidente da EPTE, Vicente Okazaki, o Complexo Miguel Reale começou a ser construído há dez anos, e seu custo até o momento é de R$ 437 milhões. "O Complexo Miguel Reale significa para a Eletropaulo, o que a Porto Primavera para a Cesp (Companhia Energética de São Paulo)", comparou Vicente, que também destacou que a EPTE teve em seu primeiro ano de gestão, 1998, o faturamento líquido de R$ 21,5 milhões e que neste primeiro semestre de 99 já alcançou o faturamento de R$ 17 milhões. Densidade de carga - O complexo é o primeiro do gênero construído no setor elétrico no País. Ocupa uma área de 9,3 mil metros quadrados, onde por muito tempo funcionou uma antiga fábrica de chapéus, na Rua Lavapés, no bairro do Cambuci. Por enquanto, o complexo Miguel Reale irá disponibilizar 276 MVA, através de dois bancos de transformações de 345-20 KV, servindo os bairros Cambuci, Aclimação, Vila Mariana, Ibirapuera, Jardim da Glória e Avenida Paulista. Esses locais apresentam uma densidade de carga de 50 quilowatts (KW) por metro quadrado.
Segundo Vicente Okazaki, presidente da EPTE, este complexo foi projetado para levar um grande bloco de energia da estação transformadora de transmissão norte, em Guarulhos, na Grande São Paulo, um dos pontos de conexão ao sistema interligado, para a estação transformadora de transmissão Miguel Reale, no Cambuci, através de uma linha subterrânea de cerca de 14,8 quilômetros de extensão, sendo nove quilômetros em vala e 5,8 quilômetros em túnel. "Nosso objetivo é atender a região central de São Paulo, que apresenta uma densidade de carga equivalente das cidades de Tóquio e Nova York", esclareceu o presidente da EPTE.
O secretário de Energia, Mauro Arce, comentou a importância desta obra estar concluída, ressaltando que "esta grande novela levou cerca de dez anos para ter um final feliz". E ressaltou que o sistema elétrico está funcionando em bons níveis, com 30% de armazenamento de água em suas geradoras, apesar da prolongada estiagem que esvazia os reservatórios das hidrelétricas. "Esperamos que com o horário de verão possamos reduzir o consumo de energia nos horários de pico e até o final do ano atingir o triplo do armazenamento atual", destacou o secretário. Homenagem - O governador aproveitou também a oportunidade para homenagear o professor e jurista Miguel Reale, hoje com 88 anos, que durante 41 anos trabalhou como consultor jurídico no setor elétrico, primeiro na antiga Light, depois na Eletropaulo e agora na EPTE. Reale foi também reitor da USP nas décadas de 50 e 70, secretário de Justiça do Estado de São Paulo, em 1947 e em 1964, escreveu 70 livros e é membro efetivo das academias Brasileira e Paulista de Letras. O jurista Miguel Reale, presente à solenidade, declarou que "de todas as homenagens que já recebi nenhuma me tocou tanto quanto esta obra". Ele também manifestou seu apoio às privatizações das estatais e disse que "temos que nos abrir ao mundo para trazê-lo até nós".


