São Paulo, 11 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB-SP) voltou a defender o pagamento da dívida dos Estados com a União e prometeu lutar pela manutenção do déficit zero, apesar da crescente queda na arrecadação tributária. Hoje, Covas apareceu de surpresa na cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes para a assinatura dos decretos que reduzem o ICMS do frango e de máquinas e implementos agrícolas. Ele reafirmou a intenção do governo paulista de manter o equilíbrio fiscal e o déficit estadual zerado.
"Não dá para se admitir que você apresente uma negociação feita com o governo federal como uma negociação extorsiva. Ao contrário, foi uma negociação muito boa para os Estados. Outra coisa é saber se o que você tem que pagar, em face de todas as dificuldades, é possível de ser pago", disse Covas. Nenhum outro Estado, ressaltou, perde mais em receita do que São Paulo, mas não justifica pleitear a renegociação da dívida. "É viável discutir, mas não partir do pressuposto que o Estado foi espoliado e que isto é algo negociável por grupos, com governadores de um tipo e governadores de outro", disse Covas.
"Acho que cada governador faz o que achar que deve fazer", acrescentou, lembrando que antes da negociação a dívida era quatro a cinco vezes maior.
Na avaliação de Covas, a mudança da taxa cambial vai favorecer alguns setores, como o de calçados, tecidos, agricultura e autopeças, que voltarão a exportar. "Creio que nós vamos ter uma definição de taxa de câmbio de nível mais baixo do que ela está hoje e a minha impressão é que há alguns sinais de recuperação", disse. Mesmo assim, setores onde a dificuldade for maior, disse, devem receber compensações. É o caso da indústria automobilística, da alimentação e da construção civil. "Nós não aumentamos um imposto, nem o do automóvel e diminuímos o ICMS em várias áreas".
Covas elogiou a medida anunciada ontem pelo governo de redução de IPI para veículos. "Trata-se da diminuição de impostos federal e do imposto estadual em troca da manutenção de emprego, do não-aumento de preços, com o sentido de estimular o setor; um setor que tem significado na economia." O governo paulista diminuiu o ICMS do setor de 12% para 9%. Covas falou também sobre a situação da Sabesp, que optou por suspender obras para poder pagar empréstimos obtidos no exterior. De setembro a julho, o governo paulista pagará cerca de um bilhão em comercial-papers, em dinheiro.
"De repente, os vencimentos que eram renegociáveis com extrema facilidade pararam e você é obrigado, num espaço curto de tempo, a cumprir os vencimentos porque não podem ser renovados. Você paga e pára as obras ou toca as obras e não paga", afirmou. A opção de não pagar, praticada anteriormente, segundo Covas, não ocorrerá mais. "Se tiver que parar a obra, pára", disse Covas. Ele espera, no entanto, que o segundo semestre seja "muito melhor".

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