Brasília, 01 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), defendeu há pouco a investigação até o fim para apurar quem são os autores do grampo telefônico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que possibilitou a gravação de conversas do presidente Fernando Henrqiue Cardoso. Covas concordou com as afirmações do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), de acordo com as quais o episódio do grampo pode gerar problemas de ordem institucional e de credibilidade no Brasil. O governador não quis, no entanto, comentar sobre o pedido de Miro Teixeira de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Grampo. "O Miro está certo quando ele vê nisso um problema institucional; isso representa um perigo; você fala ao telefone, o presidente fala ao telefone e tem gente que faz 60 fitas de uma hora e meia; planta isso na casa de uma moça, na casa de um ministro e amanhã estão plantando nas agências de notícias", disse Covas, ao deixar há pouco o Ministério da Fazenda, onde esteve reunido com o secretário-executivo Amaury Bier. Ele afirmou que a descoberta dos autores do grampo é muito importante. Covas criticou o fato de estar sendo dada muita atenção ao teor das fitas. "Por que a gente não começa a pensar o que significa isso?; estão mais preocupados com o trecho de conversas que a gente nem sabe qual é o início e o fim; é a mesma coisa que pegar um parágrafo de um livro e querer julgar o livro pelo parágrafo", disse Covas. O governador afirmou que, mesmo que funcionários da Agência Brasileira de Informações (Abin) estejam envolvidos no grampo, não significa que o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, tenha sido o autor dos grampos. "É preciso saber quem é o autor dos grampos; isso não é coisa que se faça pela vontade de uma pessoa só; tem de ter um grupo, uma montagem
um complô", afirmou.

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