São Paulo, 04 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), deu posse hoje ao secretariado de seu segundo mandato. Apenas o titular da Secretaria de Administração Penitenciária ainda está indefinido. Tomaram posse 23 secretários - 70% dos nomes já faziam parte do governo no primeiro mandato tucano.
O atual presidente regional do PSDB, Mendes Thame, foi anunciado para ocupar a Secretaria de Recursos Hídricos, no lugar do engenheiro Hugo Marques da Rosa. O governador manteve o médico José da Silva Guedes na Secretaria da Saúde e a assistente social Marta Godinho na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Os secretários da Administração, Fernando Carmona, e da Energia, Mauro Arce, também tomaram posse hoje, embora o governador já tenha confirmado a extinção das duas pastas nos próximos meses. Foi confirmado ainda a manutenção no cargo do procurador-geral do Estado, Marcio Sotello Felipe.
A solenidade de posse marca, na prática, o início do segundo mandato de Covas. Os secretários iniciam a administração do governo sob efeito da crise financeira. Por causa dela, terão seus orçamentos engessados e a incumbência de reduzir, em alguns casos, pelo metade o custeio de despesas em suas áreas. No início do ano, o governo baixou um decreto definindo um corte de R$ 1,8 bilhão na administração direta e a paralisação de todos os investimentos no Estado.
De acordo com os secretários, o grande enfoque deste segundo mandato tucano será a retomada do desenvolvimento em São Paulo, tarefa que ficará sob a responsabilidade do deputado licenciado José Aníbal, secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento.
"Depois de quatro anos cortando despesas e saneando as empresas, o governador construiu as bases para o desenvolvimento no Estado", afirmou o novo secretário do Meio Ambiente, Ricardo Tripoli.
O secretário Mendes Thame, de Recursos Hídricos, tem a mesma opinião. Segundo ele, há uma mudança de perfil do primeiro mandato de Covas para o segundo. "Passamos de um perfil econômico-administrativo para um perfil de conotação político-administrativo", definiu. O objetivo, agora, é trabalhar no sentido de transformar o Estado de São Paulo uma vitrine aos demais Estados. "Queremos retomar o processo de crescimento de São Paulo", afirmou.
A área de desenvolvimento está sendo enfatizada também por causa da crise financeira. "Sem dúvida nenhuma nós vamos produzir muitas iniciativas na área de emprego, do crescimento, das exportações e na área de parceria entre o setor público e privado, criando possibilidades para que São Paulo mais e mais retome o crescimento", afirmou Aníbal. A tarefa de sua pasta será trazer o máximo possível de investimentos para o Estado. No primeiro mandato, o governo conseguiu atrair R$ 72 bilhões em investimentos para o Estado.
Durante a solenidade de hoje, os secretários reclamaram da alta taxa de juros e pediram medidas ao governo federal para uma redução do problema a curto prazo. "Espero que o novo presidente do Banco Central tenha uma ação direcionada a estabilizar a taxa de câmbio e, com isso, consiga baixar logo as taxas de juros", afirmou José Aníbal.
Segundo ele, a incidência das taxas de juros é desastrosa para a economia e, por consequência, aos cofres do Estado. "O custo das altas taxas é forte e os Estados industrializados sofrem mais com a crise." Ele afirmou que, os 13% de comprometimento da receita do Estado com o pagamento das parcelas da renegociação da dívida com o governo federal "se tornam rígidos demais" ao governo paulista por conta da crise.
O secretário de Planejamento, André Franco Montoro Filho, também defendeu a redução das taxas de juros. Na sua avaliação, o governo federal atrelou a aprovação do ajuste fiscal a uma redução das taxas, mas isso não aconteceu. Ele informou também que a previsão é que o Estado perca de 4 a 5% de arrecadação este ano devido a crise, o que corresponde a cerca de R$ 900 milhões a menos do que a arrecadação prevista no Orçamento deste ano. A previsão era de uma receita de R$ 18,3 bilhões e o governo deve arrecadar R$ 17,4 bilhões.
Embora Covas tenha dito que gostaria de ter um governo de centro-esquerda, a composição do secretariado não confirmou esta intenção. Nenhum partido de esquerda fará parte da administração. "O governo continua bem tucano", afirmou um secretário hoje. A maioria dos secretários empossados é formada por técnicos sem ligação com partidos ou políticos do próprio PSDB. O único partido contemplado foi o PTB, com a manutenção de Francisco Prado na Secretaria da Habitação. Fala-se ainda na possibilidade do deputado estadual Pedro Dallari, do PSB, ocupar a pasta de Administração Penitenciária. A secretaria estaria sendo negociada também com o PMDB.

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