Covas critica solução de FHC para Ford na Bahia
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sexta-feira, 09 de julho de 1999
Por Márcia Furlan 
São Paulo, 10 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), enrijeceu hoje seu discurso contra a alteração da lei que permitirá a instalação da fábrica da Ford na Bahia. Ele afirmou que a saída encontrada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso - de vetar a MP de prorrogação do prazo do regime automotivo e criar outra para facilitar a instação de indústrias no Norte, Nordeste e Centro-Oeste - é uma "barbaridade".
"A guerra fiscal é proibida por lei e já existia. Agora
o governo federal, além de fazer isto, ainda está dando outras vantagens", declarou.
Covas argumenta que a lei é clara e explícita ao proibir qualquer concessão, direta ou indireta, sobre impostos. Para ele
o governo poderia ajudar as indústrias a fazerem investimentos, e não possibilitar redução dos preços dos produtos, o que causará concorrência desleal.
O governador negou que tenha tratado do assunto ontem (9) com FHC, durante a inauguração do Complexo Cultural Júlio Prestes, em São Paulo. "Só ouvimos música", afirmou. "E na hora que se escuta música não se pode falar destas coisas. Este assunto não se fala com calma", observou.
Privilégio - Covas admitiu que a concessão do governo federal para a instalação da Ford na Bahia pode resolver eventuais impasses com os parceiros do Mercosul e com a Organização Mundial do Comércio (OMC), dependendo do tipo de solução que será adotada. "Só não resolve os problemas com outros Estados", afirmou.
Argumentando que não está falando apenas dos prejuízos ao estado de São Paulo, Covas citou o exemplo do Espírito Santo, que ofereceu as mesmas vantagens para a montadora se fixar em seu território, mas perdeu a disputa.
"O Espírito Santo tem um governador do mesmo partido do presidente - o que mostra neste aspecto a sua isenção - e dava todas as condições para a Ford ir para lá. Só que o governo federal não deu as mesmas coisas que dá para a Bahia", ponderou.
Covas admitiu que a decisão está relacionada à atuação do presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), na questão, mas procurou não fazer mais comentários. "É lógico que foi influência do ACM. Mas não importa saber qual a razão. Importam os resultados disto."
O governador visitou na manhã deste sábado três escolas estaduais dos municípios de Osasco, Carapicuíba e Taboão da Serra, onde fez a entrega oficial de 7.385 novas vagas na rede estadual. Ele entregou também 7.934 quilos de medicamentos por meio do Programa Dose Certa, da Fundação para o Remédio Popular.


