Covas critica política econômica e cobra empregos
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sábado, 28 de agosto de 1999
Por Regina Terraz 
São Paulo, 29 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), é mais um peso-pesado tucano que engrossa as críticas pluripartidárias ao modelo econômico adotado pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Economia boa é aquela em que as pessoas têm emprego", afirmou Covas hoje, reiterando a idéia de políticas que retomem o crescimento econômico do País.
Covas concorda com a opinião de outros tucanos, entre eles o governador do ceará, Tasso Jereissati, de que o modelo econômico vigente precisa ser alterado. "Tasso classifica de mau o caminho seguido exatamente pelo problema do emprego."
De acordo com o governador paulista, as reclamações sobre o modelo econômico em vigor - que tucanos e a oposição consideram estar restrito às metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) - partiu primeiramente de dentro do próprio PSDB. "Achamos que tem de mudar o rumo, queremos mudar o rumo." Na sua opinião, existem divergências entre o governo e o base aliada que são "incontornáveis", e Fernando Henrique não deveria mudar, a todo o momento, seu projeto de governo para conter insatisfações dos partidos aliados.
"Você não tem de sacrificar o futuro por conta das divergências; não dá para o governo mudar a linha de trabalho a cada esquina pelo fato de que isso mexe com um ou outro partido." Para ele, uma opção seria rearranjar a base aliada no Congresso ou trabalhar com uma base menor.
Covas acredita que o governo federal tem de ir além do anúncio do Plano Plurianual de Investimentos (PPA). "O que se reclama é a relação capital-trabalho, é isso que pesa desfavoravelmente."
O governador não quis fazer muitos comentários sobre o ofício encaminhado ao Senado quinta-feira pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga. No texto, o presidente do BC reconheceu oficialmente que os dois empréstimos do Banco Mundial para São Paulo, no valor de R$ 100 milhões, fazem parte do Programa de Reestruturação e Ajuste do Estado, uma das cláusulas do contrato de refinanciamento da dívida paulista com a União.
"Essa manifestação coloca as coisas de uma forma mais correta, ele coloca ali que o que a gente (o governo paulista) vinha dizendo corresponde à verdade", afirmou. Os empréstimos estão parados no Senado deste a semana passada sob a justificativa de que contrariam o limite de endividamento dos Estados.
Mas Covas vinha reiterando que os pedidos de empréstimo faziam parte do acordo da dívida. O governador paulista não quis comentar qual será a apreciação do Senado a partir da posição favorável de Fraga. "Eu não quero dar palpite sobre isso, eles resolvem como quiserem."


