São Paulo, 07 (AE) - O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e os "burocratas" do governo federal - incluindo a equipe econômica e o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel - voltaram a ser criticados hoje pelo governador Mário Covas (PSDB) durante cerimônia, no Palácio dos Bandeirantes, de assinatura do contrato para liberação do empréstimo de US$ 100 milhões do Banco Mundial (Bird). A aprovação do empréstimo, incluído nas negociações do refinanciamento da dívida paulista com o governo federal, foi longamente protelada pelo Senado e Covas chegou a ameaçar, em setembro, romper o acordo com a União e declarar moratória se a demora perdurasse.
"Para quem tem mais prestígio, sai mais rápido", queixou-se o governador, referindo-se à rápida aprovação de um empréstimo de US$ 300 milhões do Bird para investimentos no Estado da Bahia. Covas também não poupou a equipe econômica do governo, que demorou em aprovar a liberação do dinheiro. "Assumi o governo e comecei a receber lições de quem nunca passou pelas urnas", reclamou Covas. "Fazem cara feia e nos recebem como se não tivéssemos representação", completou, referindo-se aos "burocratas da equipe econômica da União" e, principalmente, ao secretário da Receita, Everardo Maciel. "Na hora de pagar, nós pagamos mais depressa; na hora de receber, recebemos mais devagar", ironizou.
Covas lembrou que São Paulo fez um ajuste fiscal "que não tem nem comparação" com o realizado pelo governo federal. "E não se criou nenhum CMPF, nem Cofins e não se aumentou o Imposto de Renda", disse o governador paulista.
Do empréstimo do Bird, US$ 45 milhões serão destinados ao Projeto Integração Centro da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que permitirá a interligação do metrô com os trens do subúrbio. As obras, orçadas em US$ 95 milhões, contarão com US$ 50 milhões em recursos do governo estadual. Os US$ 45 milhões restantes vão para o programa de contenção da erosão hídrica das microbacias, no valor total de US$ 124 milhões, dos quais US$ 69 milhões do Estado.
No final da cerimônia, o governador condenou a guerra fiscal. "Vou fazer o triste papel de pagar as empresas de São Paulo para irem se instalar em outros Estados", declarou, negando que o Estado esteja disposto a financiar a guerra fiscal.

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