Covas cortará investimentos por causa de decisão do STF
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por T¶NIA MONTEIRO 
Brasília, 05 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, avisou hoje que por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal de proibir a cobrança contribuição previdenciário de inativos, vai promover cortes em investimentos, inclusive na área social, em custeio e de pessoal, mas não nesta ordem, obrigatoriamente. Covas garantiu, no entanto, que não irá aumentar imposto no seu Estado, para compensar a perda de receita, e sugeriu ao governo federal a seguir seu exemplo. "Não há clima para aumento de imposto", advertiu o governador, depois de esclarecer que não pretende mobilizar a bancada federal no Congresso para elevar alíquota de tributos.
Covas informou que hoje arrecada R$ 600 milhões com inativos e paga R$ 6 bilhões. Com a decisão do Supremo, a arrecadação cairá para R$ 300 milhões, embora os inativos de São Paulo paguem contribuição previdenciária desde 1953.
O governador explicou que havia encaminhado uma proposta para a Assembléia Legislativa discutir o aumento das contribuições para evitar problemas futuros nas contas do Estado. "Quando discuti com as lideranças eu disse a eles que, até 2002 eu aguento essa parada", comentou ele, acentuando que "quem não vai aguentar é quem vem depois porque em 2005, 50% da folha será para pagar aposentados e em 2012, 66% da folha pagará aposentados".
Segundo o governador, não há como "fazer mágica" para cobrir as despesas. "Todo mundo grita que você tem de melhorar a segurança, que você tem de melhorar a Febem, só que esse dinheiro que está pagando inativo, está saindo de lá", desabafou ele. "Não é questão de opção, eu jogo de acordo com a música." Indagado sobre o que fará, o governador ironizou: "Eu vou gritar um pouco, na hora do banho para passar a raiva, e, fora disso, eu vou tocar a vida para a frente".
Para o governador, os cortes acontecerá inclusive na área social.
"Cortar na área social é ruim, tudo é ruim e, portanto, a gente tem de fazer o que menos ruim", prosseguiu Covas lembrando que é preciso decidir o que se quer: que os funcionários paguem um pouco mais ou se toda a população pague, inclusive quem ganha menos que os funcionários.
O governador paulista Covas foi mais uma vez irônico ao falar sobre as preocupações da área econômica com o corte de R$ 2,4 bilhões, por causa da decisão do Supremo. "O prejuízo que o governo federal está tendo agora é de 2,4 bilhões e a multa do Banespa foi de R$ 2,8 bilhões", observou. "E ninguém me perguntou se eu aguentava", comentou o governador. Mas avisou que pode pode até fazer alguma coisa, só que fará quieto.
Questionado sobre a proposta de reestruturação da dívida do Piauí, que está sendo apreciada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que permite a redução de 13% para 7% do comprometimento da arrecadação do Estado o governador disse desconhecer a proposta e avisou que se o Congresso fizer isso para um Estado, tem de fazer para todos.


