Covas condena teto dúplex
Covas condena teto dúplex15/Mar, 21:17 Por Tânia Monteiro Brasília, 15 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje que demitirá os servidores aposentados do estado que continuam trabalhando e recebem mais do que o teto estabelecido para o funcionalismo público. Covas defendeu ainda um reajuste para o salário mínimo maior do que o índice de reajuste concedido para o teto dos servidores públicos. "O aumento do mínimo tem de ser maior do que o do teto", declarou o governador, acrescentando que, em São Paulo, o menor salário pago pelo governo é de R$ 220. O secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, assegurou que o governo ainda não fechou o número para o mínimo. Segundo ele, a área econômica está empenhada em obter fontes de recursos, com os parlamentares, que querem um reajuste maior para o salário mínimo. Sobre a possibilidade de esses recursos saírem do próprio orçamento, o ministro afirmou: "Se você quer aumentar despesas, tem de cortar em algum lugar". Segundo Aloysio Nunes, os ministros vão à comissão que estuda o mínimo na Câmara, para discutir as fontes de financiamento para o aumento. Covas e Aloysio Nunes deram declarações depois da solenidade relativa ao turismo no Palácio do Planalto. Mário Covas defendeu também a desvinculação do salário mínimo da Previdência. Para ele, este é o grande empecilho para que se eleve o valor do salário mínimo. "Ela (vinculação) é absurda", disse, acrescentando que isso não poderia ter ficado na Constituição. Ao condenar o teto dúplex - salário máximo do servidor de R$ 11,5 mil com acréscimo do mesmo valor para uma aposentadoria, podendo chegar a R$ 23 mil - o governador Mário Covas argumentou que o ideal seria que se pagasse apenas uma bonificação. "Teto dúplex é um absurdo", disse ele. Ele promete demitir o funcionário aposentado que esteja trabalhando e recebendo mais do que o teto. Mas, quem for aposentado e não ganhar o teto, não será cortado, explicou. O governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), que estava ao lado de Covas, também se posicionou contra o dúplex. Amin concordou com o governador paulista em relação à demissão de funcionários aposentados que continuem trabalhando e recebam acima do teto estabelecido para o funcionalismo. Covas e Amin pediram ainda pressa na aprovação da emenda do teto no Congresso, para que os estados possam fixar os seus subtetos. Para eles, o problema de salário nos estados não está no Executivo, onde há controle, mas no Legislativo e no Judiciário. O governador paulista não quis falar sobre o valor que considera ideal para o mínimo. Sobre o fato do PSDB estar pedindo R$ 160, o governador declarou: "O partido deve querer muito mais. Eu gostaria que fosse R$ 1000." Covas lembrou que aumentou o piso salarial em seu estado em 95, 96 e 97 e que hoje o menor valor é de R$ 220. Mas ele entende que muitas prefeituras não podem pagar esse valor.





