São Paulo, 12 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB/SP), reafirmou hoje ser contrário à série de incentivos que o governo federal deve conceder para a instalação da Ford na Bahia, mas evitou criticar o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Ontem, ao justificar a necessidade da concessão dos incentivos, ACM declarou que "toda a riqueza de São Paulo foi feita com divisas do Nordeste". O senador baiano tem pressionado o governo federal para conseguir a aprovação da medida provisória que permitirá a instalação da Ford na Bahia.
"Bem, não tem o que comentar, não tem lógica. Quem estudou um pouco de história econômica sabe como se passou o desenvolvimento regional" disse Covas, referindo-se às declarações do presidente do Congresso Nacional. Segundo Covas, a polêmica sobre a instalação da fábrica da Ford na Bahia está tomando um rumo errado. "Ninguém é contra a ida da fábrica da Ford para a Bahia e, para São Paulo, como o maior estado produtor do país, interessa que os outros estados cresçam" disse Covas.
Na opinião do governador, o "caso Ford" está tendo um tratamento preconceituoso e acaba passando a idéia de que os paulistas são contra os nordestinos. "Eu sou contra é dar uma série de incentivos do governo federal, incentivos como IPI, PIS
Cofins, Imposto de Renda e Imposto de Importação, que não são dados para outros estados" disse.
Covas relembrou que, inicialmente, o pacote de benefícios para a instalação da montadora da Ford no país, que valia para todos os estados, previa um empréstimo de R$ 650 milhões do BNDES. No entanto, a emenda aprovada pelo Congresso no final de junho amplia esse benefício, acrescentando a renúncia fiscal por parte do governo federal dos impostos mencionados acima. Além disso, Covas cita que a isenção de ICMS, um dos pontos discutíveis da guerra fiscal, é proibida por lei e já estava incluída no pacote de benefícios. "Estivemos conversando com os representantes da Ford pouco antes da decisão de instalação na Bahia, mas nós não fomos as últimas instâncias como concorrentes. Eu não podia dar os incentivos que eles queriam de São Paulo, é contra a lei", disse Covas.

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