Covas condena greve e afirma que teto já devia estar definido
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Liege Albuquerque 
Brasília, 25 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), considerou "uma barbaridade" a possibilidade de os juízes entrarem em greve na segunda-feira (28). "Posso entender a reivindicação de aumento salarial, mas o Judiciário, a polícia
essas instituições não podem parar", disse. O governador esteve hoje em Brasília para apresentar ao presidente Fernando Henrique Cardoso o projeto Genoma Xylella, que decifrou o código genético da bactéria causadora do amarelinho, doença que atinge plantas cítricas.
Em entrevista na saída do Palácio da Alvorada, Covas disse que a indefinição dos Três Poderes sobre o teto salarial - um dos motivos da possível greve dos juízes - também está sendo prejudicial aos Estados e municípios. "Essa indefinição atrasa o projeto que está na Câmara, que define os subtetos dos Estados e municípios", disse. "O teto tem de ser definido porque interessa a toda a Nação e só então poderão ser fixados os subtetos."
O governador, que na quinta-feira deu entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) em processos contra os governos da Bahia e Paraná por conta da guerra fiscal, reafirmou que "muito provavelmente" poderá entrar com ações contra outros Estados. O governador respondeu lacônico à afirmação do presidente do Senado, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), de que iria entrar também com uma ação contra as sobretaxas dos produtos paulistas. "Ele vai entrar contra São Paulo? Então, tá bom", comentou.
CALABI - O governador criticou a saída de Andrea Calabi do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Eu deploro a saída de Calabi e adoraria ter um cargo no meu governo à sua altura para oferecer a ele", disse em entrevista à GloboNews. Segundo Covas, Calabi e seu sucessor Francisco Gros têm características "muito diferentes". "Gros está mais vinculado à linha do Ministério da Fazenda e o Calabi é um homem de linha mais concreta na operação entre o público e privado." Covas voltou a criticar o ritmo da reforma tributária no Congresso. "Fiquei 16 anos no Congresso e nunca vi uma comissão assim: vota, pára no meio, reúne governadores e prefeitos e não decide", afirmou, referindo-se à comissão especial na Câmara, que iniciou seus trabalhos no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para o governador, "falta vontade" ao Ministério da Fazenda e à Receita Federal para concluir a reforma tributária. "Enquanto isso, fica-se discutindo a guerra fiscal como se fosse uma guerra dos Estados ricos contra os pobres e não é nada disso: é uma guerra em que só quem sai favorecido são os empresários", disse. Segundo Covas, sem a reforma tributária nunca vai acabar a guerra fiscal no País.


