Covas cobra reação de FHC à declaração de militar
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Fred Ferreira, Inês Migliaccio e Regina Terraz 
São Paulo, 29 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) lamentou hoje o teor dos discursos que militares da reserva da Aeronáutica fizeram no almoço de desagravo ao ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) brigadeiro Walter Bruer, terça-feira no Rio, e cobrou uma reação do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Foi muito ruim isso ter acontecido", disse o governador. "Eu vi coisas inaceitáveis sendo ditas e acho que o governo deve se pronunciar sobre isso."
Apesar da irritação com os discursos, a possibilidade de um golpe militar foi afastada por Covas. "Não me parece algo com consequências imprevisíveis e não vejo nenhum perigo imediato nisso", avaliou. "Certas coisas a gente sabe como começam e não sabe como terminam." O governador fez as declarações logo após ter assinado decreto de nomeação de 42,8 mil professores de ensino médio na Secretaria da Educação de São Paulo.
O almoço de desagravo ao ex-comandante acabou sendo um ato de protesto dos militares nacionalistas contra o governo. Cerca de 660 pessoas, a maioria militares da reserva, lotaram o salão do Clube da Aeronáutica e aplaudiram longamente o presidente da entidade, brigadeiro Ércio Braga, que em seu discurso conclamou a sociedade a dizer que havia chegado à "fronteira do inaceitável".
A maior crítica de Covas foi ao deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), que é capitão do Exército. "Quando se vê um deputado, que é parlamentar e militar ao mesmo tempo, dizendo que vai matar o presidente, percebe-se que essa histeria, graças a Deus, é um ato isolado de duas ou três pessoas."
O discurso de Bolsonaro foi o mais radical e chegou a propor a execução de Fernando Henrique. "Ele, para mim, tinha de ser fuzilado", afirmou. O deputado defendeu a adoção do que classificou como "padrão Hugo Chávez" para o Brasil, referindo-se ao presidente da Venezuela. "Se aparecer um oficial general, um militar qualquer que tenha como capitalizar para si os anseios da população, podemos partir para isso", disse.
No Rio, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) disse ter comentado com Fernando Henrique que achava estranho a presença de membros da UDR no almoço. E, segundo ele, Fernando Henrique teria emendado: "Eu também estranhei." Os dois encontraram-se na casa do empresário Israel Klabin, em Ilha Grande (RJ).


