Campinas, SP, 07 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), defendeu hoje a rápida definição da reforma ministerial preparada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "Se é para fazer, é melhor fazer rápido, porque se não vai parecer que o governo está em crise", disse. Segundo o governador, a expectativa em relação às mudanças "paralisa" o governo. Covas disse ser natural a disputa entre os partidos para preencher cargos no primeiro escalão. "É só anunciar que vai ter mudança no ministério e uma porção de gente fica assanhada", disse. Segundo ele, as trocas são normais. "Uns (ministros) estão melhores, outros vão menos mal, enquanto outros precisam ser trocados por outras razões", disse. O governador esteve hoje no interior do estado inaugurando estradas vicinais.
Covas rebateu as acusações de que estaria ignorando ordens judiciais para nomeação de interventores em municípios condenados por não pagarem precatórios. Segundo ele, não está havendo "descaso" nem "omissão" do governo estadual, conforme relatam os oficiais de justiça encarregados de comunicar as decisões do Tribunal de Justiça ao governador. Para apurar o suposto descumprimento, o procurador geral, Luiz Antonio Marrey, determinou a instauração de inquérito civil.
As decisões sobre intervenções estaduais são decretadas pelo àrgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) e comunicadas ao governador por meio de ofícios, que ele deve assinar, tomando ciência das ordens. Os oficiais de justiça reclamam, porém, que não conseguem resgatar os recibos assinados por Covas. "É possível que muitas vezes eles não me encontrem por lá, mas isso não quer dizer que haja descaso", disse.
O governador disse que o ato de determinar uma intervenção nos municípios é sempre constrangedor. "Decreta-se a intervenção, mas pede-se para o governador executá-la", ironizou, para em seguida completar: "Já que estão insistindo tanto, vou determinar as intervenções, mas então vou nomear como interventores pessoas do Ministério Público", afirmou. "Quem sabe, com pessoas tão responsáveis, os municípios consigam pagar suas dívidas."
Para Covas, muitos municípios não conseguem pagar os precatórios por atravessarem dificuldades financeiras. "Há uma quantidade razoável de prefeituras nessa situação", disse. Além disso, o governador diz possuir um parecer do Ministério Público
segundo o qual as decisões judiciais indicando a intervenção nos municípios não são compulsórias, e sim para serem examinadas pelo governador. "Me parece que não constituem um dever e sim uma recomendação", afirmou.

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