São Paulo, 13 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) cobrou diretamente do governo federal uma solução para as multas aplicadas pela Receita Federal ao Banespa (R$ 2,8 bilhões) e à Nossa Caixa Nosso Banco (R$ 350 milhões), estendendo a responsabilidade pelas autuações ao presidente Fernando Henrique Cardoso e não apenas ao secretário da Receita, Everardo Maciel, a quem chamou ontem (12) de "burocrata arrogante", acusou de "agir um pouco por conta própria" e estar prejudicando São Paulo. "Se um secretário meu toma uma atitude que eu não concordo, ou eu a desqualifico ou é uma atitude de governo", afirmou.
Irônico, Covas disse hoje "não saber" se Fernando Henrique deveria interferir no processo. "Já tenho dificuldade para comandar meu Estado, imagina comandar o governo federal." Ele ressaltou, entretanto, que antes de o presidente se pronunciar, o assunto deve ser tratado pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Na definição do governador, Malan é outro "burocrata". A relação entre ambos sempre foi tumultuada. No feriado de 7 de Setembro - marcado pela demissão de Clóvis Carvalho do Ministério do Desenvolvimento - Covas disse "até gostar" de Malan, a quem via como um "burocrata de boa qualidade".
"O Ministério da Fazenda diz que essa coisa (a multa do Banespa) foi resolvida de uma hora para a outra, mas não foi não", atacou Covas. "Fazia seis meses que o ministério estava discutindo isso, mesmo porque está em jogo o fato de que o ministério estava envolvido na direção do Banespa; se o banco foi multado foi por omissão de alguém que estava na direção", completou.
Na versão do governo paulista, o débito cobrado pela Receita ao Banespa diz respeito ao período de intervenção do Banco Central na instituição (a partir de 30 de dezembro de 1994) e a administração federalizada após a assinatura do acordo de refinanciamento da dívida estadual com a União. Covas quer que o próprio governo federal, portanto, pague a multa bilionária.
As negociações com o ministério sobre a cobrança contra o Banespa estão paralisadas, de acordo com o governador, desde que a Receita multou também a Nossa Caixa. Ele classificou a multa da Nossa Caixa como represália pela reação do governo paulista em relação ao Banespa. Covas avisou que se "reserva" o direito de tomar "qualquer atitude" contra Everardo. Sem especificar quais seriam, referiu-se a atitudes "jurídicas, fiscais, políticas". No sábado, deverá atuar já na reunião entre os governadores e Fernando Henrique sobre Previdência. Ele disse que não trataria do assunto na reunião, mas assessores diretos de Covas afirmaram que ele vai cobrar do presidente uma solução para o impasse.

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