Covas chama Maciel de 'burocrata arrogante'
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segunda-feira, 11 de outubro de 1999
Por Valdir Sanches 
Aaparecida, SP, 12 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), voltou a criticar hoje o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. "É um burocrata arrogante, que interpreta a lei segundo a sua vontade", afirmou, ao sair da Basílica Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), onde assistiu à missa em homenagem ao Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Ele contou que a multa aplicada pela Receita à Nossa Caixa-Nosso Banco, somada ao que o governo pagou de juros, atinge R$ 1 bilhão. "Isso, R$ 1 bilhão, é o valor da Caixa", argumentou.
Esse banco, segundo Covas, foi encontrado "quebrado e falido". Ele ressaltou que, durante quatro anos, pagou R$ 600 milhões de impostos. "Nesse período, o governo do Estado, que é o dono da Caixa, recebeu de dividendos R$ 150 milhões."
Indagado sobre a possibilidade de Maciel não ter agido por conta própria e sim por orientação do governo, Covas respondeu, sem poupar o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Acho até que Everardo age um pouco por conta própria, mas, se age por conta do governo, acredito que a crítica que estou fazendo vale também para o governo", afirmou.
Covas criticou o fato de ser obrigado a depositar o dinheiro da multa enquanto discute o assunto na Justiça. Segundo ele, uma medida provisória (MP) autoriza a União a usar a verba até o julgamento da questão, mas isso não é permitido aos Estados.
Além de Maciel, Covas atacou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-ministro da Justiça, que o acusou de cometer irregularidades na administração. "Esse lambão, o Calheiros, que não tem nenhuma moral, não me chama de ladrão.", comentou. "Para dar uma idéia de quem ele é", comparou o custo de construção de penitenciárias.
O governador disse que fez 21 e mais nove em convênio com a União. Estas, para 800 presos, custaram de R$ 10 milhões a R$ 11 milhões, segundo informou. "Ele (Calheiros) fez uma em Alagoas, para 250 presos, que custou R$ 17 milhões." Covas reafirmou que encerrará a vida pública no fim deste mandato: "Já estou na idade."


