Covas anuncia duas novas unidades da Febem
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Mariana Martinez 
São Paulo, 29 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, afirmou hoje que entregará, em 135 dias, duas unidades provisórias da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) com capacidade para 960 menores. Elas serão construídas em Franco da Rocha e cada módulo atenderá a 80 crianças. Com a medida o governador espera resolver o problema da superlotação, evitar novas fugas e rebeliões na Febem. Só no último mês mais de mil menores fugiram.
A solução é provisória, até que possam ser erguidas unidades menores da Febem, que comportem de 60 a 80 crianças, como determinou a Justiça. "Mas isso leva tempo", disse Covas. Ele informou que estão em andamento as obras de unidades em Marília, Guarujá e Araraquara.
Distritos - Covas afirmou que o esquema provisório será estendido aos presos dos Distritos Policiais após a construção de cinco unidades. "Nós entregamos 21 penitenciárias, com 17 mil vagas , e estamos com os distritos cheios de novo", reclamou. As afirmações do governador foram feitas hoje pela manhã, na unidade Imigrantes da Febem, em São Paulo. Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, Marco Vinício Petreluzzi, nos últimos dez dias foi registrado um aumento de 10% no número de crimes cometidos por menores.
Segurança - O governador informou que manterá por tempo indeterminado o esquema de segurança reforçada na área externa da Febem Imigrantes, implantado na sexta-feira. De acordo com o governador, desde esse dia não ocorreram mais fugas. Um grupo da Escola de Educação Física da Polícia Militar vai orientar atividades esportivas dos menores para evitar o ócio, um dos fatores geradores de insatisfação e rebeliões. "O que se pode fazer aqui é remendar. As coisas ficarão bem feitas quando mudarmos daqui", disse Covas.
Apesar de reconhecer as falhas, Covas disse que a Febem tinha apenas 1.800 vagas quando ele assumiu o governo e hoje são 3.200. Segundo o governador, os salários da Febem também não podem ser considerados baixos, comparados aos demais do funcionalismo. "Além disso, não se pode dizer que o custo da criança seja baixo, já que uma criança na Febem custa R$ 1,7 mil por mês", afirmou.
Além disso, a entrada de crianças na instituição é muito maior do que a saída, em uma proporção de 65 para 20 por semana. "É lógico que tem de ter superlotação", disse. A unidade da Febem, com capacidade para aproximadamente 400 crianças, comporta mais de 1.300 menores. Covas também afirmou estar construindo um muro em volta da Febem Imigrantes. "São Paulo tem 10 milhões de pessoas e elas não podem viver sob a expectativa de que crianças estão fugindo", disse. Sobre os funcionários que estão ameaçando fazer paralisações, afirmou que serão demitidos. "Quem não cumprir sua obrigação vai para a rua mesmo."


