Covas anuncia desativação do Complexo Imigrantes da Febem
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 28 (AE) - O governador Mário Covas anunciou hoje a desativação do Complexo Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Os 873 menores que estavam hoje na unidade serão transferidos inicialmente para uma das cadeias públicas em Pinheiros, na zona oeste, e para unidades menores da Febem. Covas prometeu que esvaziará o complexo até domingo.
Segundo a secretária Martha Godinho, a desativação do complexo começou hoje com a saída de 70 menores. Amanhã (29), segundo ela, deverão sair mais 100 e o restante deixará a unidade sábado. Para a cadeia pública devem ir cerca de 550 adolescentes infratores. Essa cadeia atualmente é ocupada por mulheres, que serão enviadas para uma penitenciária em Guarulhos
na Grande São Paulo. O plano de Covas é deixar os menores infratores cerca de uma semana naquela cadeia. Durante esse tempo, o governador pretende esvaziar a Penitenciária Feminina do Tatuapé, que fica dentro do complexo da Febem daquele bairro, e transferir os infratores para lá.
Segundo Covas, com isso, o Estado não terá necessidade de manter nenhum adolescente no Complexo Imigrantes, que será reformado para, segundo o governador, abrigar "no máximo 250 menores". De acordo com o governador, será necessário reconstruir as unidades destruídas na rebelião iniciada no domingo, construir muros na parte externa do complexo - hoje ele é cercado por alambrado - e fazer outras obras que estão sendo decididas pelos engenheiros do Estado. Covas não soube informar quanto será gasto na reforma.
A médio prazo, o governo quer descentralizar a Febem, construindo unidades para até 100 menores. Quando estiverem prontas, elas deverão abrigar os infratores que hoje estão no Centro de Observação Criminológica, no Carandiru, e os que ficarão na Penitenciária Feminina do Tatuapé. Visita - O governador foi hoje ao Complexo Imigrantes. A visita começou às 14h30 e terminou às 19 horas. Covas ouviu queixas dos infratores mas também os recriminou, dizendo-lhes que ele os havia atendido em todos os pedidos feitos em suas visitas anteriores. "Uma vez eu vim aqui e me pediram colchão e cama; da outra vez, pediram que eu consertasse a piscina e eu fiz; depois me pediram churrasco e eu também fiz; portanto, tenho crédito com vocês e vocês estão em débito comigo".
Depois, Covas reuniu-se com funcionários da Febem e ouviu propostas para melhorar o funcionamento da fundação. Por último, encontrou-se com uma comissão de pais de internos e prometeu o retomada das visitas. Os menores estão impedidos de receber visita desde terça-feira, quando um grupo de parentes tentou linchar um dos monitores da Febem. Segundo o tenente-coronel Jairo Paes de Lira, comandante do 3.º Batalhão de Choque da PM, os menores infratores da Imigrantes estão "contidos" em duas unidades: uma ala da unidade de acolhimento provisório que não foi destruída, onde estão 238 adolescentes, e um salão, onde estão 308.
"Estão todos confinados, sentados no chão, e a Tropa de Choque fica do lado de fora". Segundo ele, os menores tomam água de duas em duas horas e o contato que eles têm com os policiais é apenas visual. No interior da ala e do galpão, os menores são atendidos por monitores. Hoje, 80 policiais do Comando de Policiamento de Choque faziam a segurança do complexo. Paes de Lira disse que os menores tomam banho em pequenos grupos, acompanhados de monitores, e não há espaço para que todos durmam ao mesmo tempo. "Não se pode manter por muito tempo esses infratores em um lugar com pouco espaço e ventilação". Deputados - Na manhã de hoje, Covas reuniu-se com 14 líderes da Assembléia Legislativa. Covas prometeu dedicar 50% ou mais de seu tempo à Febem e anunciou que fará uma série de visitas às unidades da instituição. Hoje, o presidente da instituição, Guido Andrade, pediu demissão. Covas deve nomear seu substituto nos próximos dias. Ficou decidido que uma comissão formada por três deputados acompanhará os trabalhos e cobrará soluções do governador.
Os deputados apresentaram várias propostas de curto, médio e longo prazos. Entre elas, a descentralização, participação da sociedade civil e do Exército, mudança de nome, redução de números de internos por unidade e separação dos atos infracionais. (Colaborou Natalie Antar)


