Covas ameaça romper contratos de rodovias
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sexta-feira, 27 de agosto de 1999
Por Clayton Levi 
São Paulo, 28 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje que o Estado vai romper os contratos com as concessionárias que administram as rodovias paulistas, caso o cronograma de obras não seja cumprido. Ele demonstrou irritação pelo fato de a maior parte das empresas não estar cumprindo os prazos previstos nos acordos. Segundo Covas, o governo está notificando as concessionárias em atraso, que poderão ser multadas em até 10% do valor das obras em atraso.
"Não se pode dizer ao povo que estamos cobrando pedágio para fazer estradas e as estradas não são feitas", afirmou o governador, durante inauguração do novo trevo de acesso à Rodovia Anhanguera, em Campinas, no interior de São Paulo, realizado pela Autoban. Segundo Covas, todas as concessionárias estão apresentando problema. "Ou elas põem as obras em dia ou desfaço os contratos", garantiu. O governador também demonstrou insatisfação com a atitude das concessionárias que pediram prazo de um ano para colocar as obras em dia. "Não estou gostando disso", alertou. Covas reclamou que, até agora, só o Estado cumpriu a parte nos contratos de concessão.
O acordo que rege as concessões diz que, antes da aplicação de multas, o Estado tem de notificar as empresas. Em seguida, as concessionárias ainda dispõem de um prazo para apresentar a defesa. Só depois é que a multa poderá ser aplicada. Covas não quis relacionar as empresas que foram notificadas.
O governador foi cuidadoso ao falar sobre a possibilidade de redução na tarifa de pedágio para os caminhoneiros. "Estamos estudando essa questão e, quando houver uma definição, nós anunciaremos", disse. Ele garantiu, porém, que, pelo menos para os motoristas de caminhão, a possibilidade de novos aumentos no valor da tarifa "está excluída".
Ao comentar sobre uma possível paralisação dos caminhoneiros nos próximos dias, o governador tentou ser diplomático, mas deixou claro que agirá com energia, se houver necessidade. "Felizmente, temos uma relação cordial com o sindicato da categoria", afirmou. Entretanto, adiantou que vai usar a força policial para desobstruir as estradas, caso um novo bloqueio dos caminhoneiros prejudique o trânsito.


