São Paulo, 15 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), avisou que vai descontar do salário a falta dos servidores estaduais que participarem da greve convocada para sexta-feira (17). As entidades sindicais dos funcionários públicos marcaram a paralisação e um protesto em frente do Palácio dos Bandeirantes, na tentativa de barrar a reforma da Previdência que tramita na Assembléia Legislativa. O projeto prevê aumentos na contribuição dos servidores ativos e inativos e passa a cobrar também dos pensionistas.
"Vão fazer protesto por eu ter exercido uma prerrogativa que é minha?", reclamou hoje Covas, depois de participar do velório do ex-governador de São Paulo e ex-ministro das Relações Exteriores do governo do ex-presidente José Sarney (PMDB), Roberto de Abreu Sodré. "Não posso mandar um projeto à Assembléia; ou eu retiro o projeto ou se faz greve?" Ele completou: "Pode fazer, mas quem fizer terá falta."
Irritado, Covas declarou que não tem mais o que negociar com os servidores. "Fiz isso antes de mandar o projeto até onde podia e algumas modificações sugeridas pelos funcionários foram adotadas", disse. "Sei que eles não querem pagar mais pela Previdência, mas o Estado vai gastar no ano que vem R$ 6,5 bilhões com inativos e só recebe dos funcionários R$ 500 milhões." Segundo ele, o pagamento de aposentadorias e pensões poderá comprometer o Orçamento do Estado em 2002, caso as medidas não sejam adotadas.
Covas disse não ver "inconveniente" no fato de entidades representativas da Polícia Militar apresentarem reivindicações ao governo, até de reajuste salarial, mas deixou claro que não deverá conceder aumentos. "Se eles (os PMs) serão atendidos ou não, depende de uma série de coisas, não da vontade deles ou da minha", afirmou o governador. "Hoje, não há cargo na Polícia Militar que não receba mais do que 100% do que recebia quando eu assumi; o salário médio de 51 mil soldados era 370 reais e hoje é 850 reais." A categoria quer um piso de dez salários mínimos para os soldados.
O governador confirmou a viagem a Brasília na próxima semana para participar da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Covas foi convidado a apresentar as razões do Estado para justificar o aval do Senado a dois empréstimos do Banco Mundial (Bird), no valor de R$ 100 milhões.
Os senadores têm resistido a liberar as operações desde agosto, com o argumento de que elas extrapolam o limite de endividamento do Estado. As operações fazem parte de um programa que chega a R$ 3 bilhões, previstos no acordo de refinanciamento da dívida estadual com a União. Irônico, Covas deu mostras de que vai protestar, caso os pedidos de São Paulo sejam usados como "desculpa" para que os senadores abram exceções a outros Estados.
O governador ainda evitou responder às acusações do ex-ministro da Justiça Renan Calheiros, que o chamou de "trânsfuga da ética". "Só vou discutir com ele na Justiça", disse ele.

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