São Paulo, 01 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, visitou hoje, por quase duas horas, a unidade da Fundação Estadual do bem-Estar do menor (Febem), da Rodovia dos Imigrantes, que tem sido objeto de investigações em função de denúncias de maus-tratos contra os menores. A visita ocorreu um dia depois de a juíza Mônica Ribeiro de Souza Paukoski, do Departamento de Execuções da Infância e Juventude, acolher representação do Ministério Público de São Paulo determinando que a entidade tem 30 dias para providenciar locais para acolher os internos excedentes das Unidades de Acolhimento Provisório (UAP) 1 e 6. Essas unidades deveriam receber apenas 320 jovens mas têm mais de 1,4 mil.
A juíza determinou, também, o afastamento do presidente da Febem, Eduardo Roberto Domingues da Silva, e de três diretores da instituição. Segundo Covas, do ponto de vista teórico, o que a juíza pediu não é absurdo, mas é difícil de cumprir em 30 dias. "É exatamente o que estamos tentando há quatro anos, descentralizar para operar em unidades menores, que são mais fáceis de administrar". O governador não detalhou fará para cumprir a decisão judicial. "Vamos locar, comprar, construir. Foi o que a juíza nos mandou fazer", afirmou. Durante a visita, alguns meninos confirmaram ter sofrido agressões. OAB - A presidência da Febem será ocupada pelo ex-presidente da seccional São Paulo da OAB, Guido Andrade. Eduardo Domingues, de acordo com o governador, já tinha pedido para sair há algum tempo e o nome de Andrade estava escolhido há dias, mas não tinha sido anunciado. "A mudança não tem nada a ver com a decisão da Justiça", afirmou.
Covas argumenta que o problema da Febem Imigrantes é complexo, pois jovens de todo o Estado são encaminhados para o local para aguardar julgamento. Além de agravar a superlotação, este fato gera ainda outro problema, que é o distanciamento dos jovens de suas famílias. Ele voltou a comentar que há resistências de municípios do Estado em receber instituições de menores, o que desafogaria as unidades da capital. "Às vezes a população não quer, às vezes a Câmara Municipal não aprova, ou até o prefeito não aceita. Há um certo preconceito", resumiu.
Ele concorda que o ambiente dentro da Febem é inadequado em função da superlotaçao e admite que podem ter ocorrido excessos por parte dos monitores. "Numa convivência deste tipo acaba sempre acontecendo alguma coisa, por mais preparadas que sejam as pessoas". Covas defende várias alterações na estrutura da instituição, que na sua avaliação "tem problema até no nome". Ele acha que os jovens tinham que ter ocupações e estarem reunidos em instituições menores, inclusive para melhorar a segurança.
Nesta manhã, pouco antes de Covas chegar à instituição, um menor pulou a cerca e foi resgatado por dois homens que o aguardavam em duas motocicletas. O menor fugiu dirigindo um dos veículos.

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