São Paulo, 2 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), admitiu hoje a possibilidade de interromper o processo de concessão das rodovias estaduais em decorrência da greve dos caminhoneiros, na semana passada. Uma das reivindicações da categoria é a redução dos pedágios. "Ou o Estado arca com o custo da redução do pedágio ou não se faz mais concessão", disse Covas.
O governador lembrou que atualmente, em São Paulo, os caminhoneiros já têm 20% de desconto subsidiado pelo Estado. Segundo ele, as concessionárias pagam 3% do faturamento do pedágio para o Estado, além da parte relativa à concessão em 20 anos.
Covas comentou ainda que, conforme reportagem publicada no domingo no Estado, cerca de 80% da população paulista é contra a concessão de estradas. "Se a população é contra, é melhor não fazer, mais vai demorar mais para construir", avisou.
Para o governador, o movimento dos caminhoneiros é "justo". Ele também concordou com algumas reivindicações dos caminhoneiros, como a punição diferenciada na pontuação do Código Nacional de Trânsito. "Concordo, por exemplo, com a não contagem de pontos na pesagem do veículo" disse Covas, acrescentando que o excesso de carga não é responsabilidade do motorista.
Perguntado sobre o fato de a transferência das rodovias estaduais para a iniciativa privada ser uma das bandeiras de sua campanha eleitoral, Covas respondeu: "Mantenho a bandeira de campanha enquanto tiver o aval da opinião pública".
Covas disse que pretende visitar todas s rodovias estaduais privatizadas nos próximos 15 dias para verificar o andamento do cronograma das obras acertado nas concessões.

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