Covas admite que não tem como conter violência
São Paulo, 25 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) admitiu hoje, em entrevista coletiva, que não há meios para conter a violência nas unidades da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). "Não tem como controlar, a não ser do jeito que se está fazendo", afirmou. "Estamos chegando ao limite de colocar a polícia". Ele disse que não pretende reforçar o policiamento no Complexo Imigrantes por causa da rebelião iniciada ontem à noite.
"A polícia tem mais coisas a fazer que a Febem, que tem quase 5 mil funcionários", afirmou. "Se eu coloco a polícia lá dentro, vai acontecer uma das duas coisas: ou a polícia entra em choque com as crianças e aí decorre o pior, ou a polícia fica desmoralizada e, daí para frente, não segura nada". Segundo ele, porém, a Polícia Militar vai fazer policiamento na unidade 24 horas por dia e poderá até haver uma ação interna, em casos extremos. "Dependendo da circunstância, (a tropa) entra mesmo", afirmou. "Você não pode ver matar, matar, matar e não tomar uma posição". Covas disse que as providências vão continuar "no ritmo que estavam". "Está-se fazendo o máximo possível, não faltam funcionários, dinheiro, equipamentos", afirmou. "O problema é que a cada dia chega um lote novo e isso faz parte de um contexto mais geral, de violência generalizada".
De acordo com o governador, a construção de duas unidades em Franco da Rocha, município da região metropolitana, não deve ser concluída até janeiro, como previsto". A Justiça suspendeu o início das obras por causa de questões ambientais. "As duas unidades já deviam ter começado". Trabalho - Para a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social Marta Godinho, a última rebelião revela "uma nova fase da violência em São Paulo". Segundo ela, já houve a fase da maconha, do crack e agora é a vez das gangues, que teriam desencadeado o mais recente protesto na Febem. "Desta vez nada indica que os funcionários da unidade tenham facilitado as fugas", disse.
Marta ainda não sabe avaliar o prejuízo das destruições causadas pelos menores na Unidade Imigrantes, mas considera a possibilidade de que os responsáveis trabalhem na reconstrução, como forma de ressarcir o Estado. "Vamos estudar juridicamente essa a possibilidade". A secretária reconhece que seria necessário desenvolver o acompanhamento psicológico dos jovens. "Eles têm muito ódio", diz. Para os próximos meses, porém, não há planos de contratação de psicólogos. Marta também admite que o modelo da Febem é ultrapassado. "Mas como a imprensa divulga muito as rebeliões, temos dificuldade para montar unidades menores no interior; as prefeituras rejeitam". A secretária reconhece que a qualidade de vida nas unidades não estimula a recuperação de infratores. "Justamente por isso queremos que os adolescentes trabalhem, produzam".





