São Paulo, 06 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) admitiu hoje que o desempenho da administração estadual na questão da segurança pública, especificamente no tratamento dos menores carentes e abandonados é deficiente. Segundo Covas, a superlotação das unidades da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), uma das críticas da Pastoral do Menor, não é a razão básica das rebeliões, como a ocorrida nos 2 últimos dias na unidade do Tatuapé, mas um fator influenciador. Dados do governo paulista indicam que em janeiro de 95 as unidades da Febem receberam cerca de 2000 crianças contra 4,5 mil, em janeiro deste ano. "A razão é que ainda não fomos capazes de dar uma solução conveniente para o problema e então acontecem algumas coisas que todos nós nos penalizamos. A situação envolve a culpa de todas as partes; começa pela do governador, pela do secretário, pela dos funcionários" disse Covas.
Em sua opinião, os recursos gastos com a criança alojada em regime de reclusão, R$ 1,5 mil por mês, devem ser melhor aplicados. "Então, com esse valor, temos que procurar dar um melhor atendimento, não dá é para dizer que a questão se resolve de um dia para outro, nós estamos tentando a quatro anos", disse. Covas afirmou que na próxima semana pretende se reunir com especialistas da área para debater possíveis mudanças. "Acho que não fizemos o melhor possível lá (referindo-se a Febem), embora o esforço esteja sendo feito. Mas nada substitui o trauma que é ter um depósito de crianças", afirmou. O governador anunciou a construção de três novas instalações da Febem. Inaugura - Covas inaugurou hoje no início da tarde, a Escola Legal. Localizada no Brás, a finalidade da escola vinculada ao SOS Criança, é atender crianças de até 17 anos e os pais ou responsáveis, administrando cursos de alfabetização e profissionalizantes.

mockup